Se já encontrou dejetos pequenos, ouviu ruídos nas paredes/tetos ou viu embalagens roídas, é sinal de atividade de ratos. Um porta-escovas de vaso sanitário (copo cilíndrico com tampa) pode funcionar como “túnel” barato para uma ratoeira: escurece o percurso, guia o roedor para o gatilho e reduz o acesso direto por crianças e animais.
Isto não substitui uma desratização quando o problema é grande, mas pode ajudar a travar cedo e a confirmar por onde eles andam.
Porque é que os ratos aparecem (e porque voltam)
Ratos entram por frestas surpreendentemente pequenas (muitas vezes, ~2 cm já chega), seguem rotas encostadas a paredes e voltam onde têm comida + água + abrigo (despensa, garagem, arrecadação, atrás de eletrodomésticos).
O erro comum é tentar “resolver o avistamento” e ignorar o sistema:
- Entrada (buracos, grelhas, folgas de portas)
- Trilho (cantos, rodapés, traseira de móveis)
- Recurso (ração, migalhas, lixo, água)
A armadilha ajuda, mas melhora muito quando combina com vedação e higiene.
Use isto como um reset rápido: capturar e, ao mesmo tempo, perceber a rota.
A ideia do porta-escovas: um túnel que torna a armadilha mais eficaz
O porta-escovas cilíndrico com tampa pode servir de “caixa de isco” improvisada e faz três coisas úteis:
- Cria escuridão e sensação de abrigo (os ratos tendem a evitar zonas abertas)
- Direciona a aproximação ao isco (menos hesitação)
- Faz de barreira parcial ao toque acidental (ajuda, mas não torna “à prova de crianças/animais”)
Em vez de uma ratoeira exposta, fica um corredor curto e discreto.
Materiais (simples e baratos)
| Item | Quantidade | Função |
|---|---|---|
| Porta-escovas cilíndrico (plástico/metal) com tampa | 1 | Corpo do “túnel” |
| Ratoeira de mola (snap trap) tamanho para rato | 1 | Captura rápida |
| Isco (manteiga de amendoim, chocolate, bacon) | pequena porção | Atrair e fixar o rato |
Opcional (mas ajuda): luvas descartáveis, abraçadeiras (zip ties) ou fita resistente, e um x-ato/berbequim para abrir entradas.
Montagem em 10 minutos (passo a passo)
1) Prepare o porta-escovas
Lave e seque bem (se for reutilizado). Evite deixar cheiro forte a detergente/lixívia: muitos roedores desconfiam de odores “agressivos”.
Crie duas entradas (uma em cada extremidade) para parecer uma passagem natural.
- Se for aberto em cima: use a tampa e faça uma abertura lateral baixa
- Se for fechado: faça dois recortes ovais/circulares (tamanho suficiente para o rato passar sem raspar)
Lixe/alisar as bordas para não ficar com rebarbas.
2) Fixe a ratoeira no interior
Coloque a ratoeira no fundo do porta-escovas e não a deixe solta. Prenda com fita forte/abraçadeiras para não deslizar quando o rato tocar.
Regra prática: alinhe para o rato ter de avançar para chegar ao isco. Em muitos casos resulta bem com o gatilho virado para a entrada.
3) Aplique um isco “pegajoso”
Use pouquíssimo isco e bem preso ao gatilho (a manteiga de amendoim é útil por ser aromática e não cair). Se exagerar na quantidade, o rato pode comer sem acionar.
4) Feche e estabilize
Feche a tampa e impeça o cilindro de rolar. Encoste a uma parede e, se necessário, coloque um peso ao lado.
Se mexe, o rato desconfia. Estável = mais eficaz.
Onde colocar para ter resultados (e onde não vale a pena)
A colocação costuma contar mais do que o isco. Ratos preferem deslocar-se “colados” a superfícies.
Melhores locais
- Ao longo de paredes (cozinha, despensa, garagem, arrecadação)
- Atrás/ao lado de frigorífico, forno, máquinas, armários baixos
- Junto a sinais: dejetos, marcas de gordura, ruídos recorrentes
- Perto de entradas prováveis: falhas em rodapés, passagens de tubos, grelhas, portas de garagem
Dica rápida: se possível, coloque o “túnel” paralelo à parede, com a entrada alinhada com o trajeto.
Locais a evitar
- No meio de áreas abertas
- Zonas muito húmidas (isco estraga, cheiros mudam)
- Ao lado de comida exposta (primeiro reduza fontes de alimento)
Segurança: o que fazer para não criar outro problema
Ratoeiras de mola são eficazes, mas exigem cuidado. O “túnel” ajuda, não elimina risco.
- Use luvas ao montar/manusear (reduz odor humano e risco sanitário)
- Mantenha fora do alcance de crianças e animais, mesmo com a “caixa”
- Evite usar venenos ao mesmo tempo “às cegas”: pode haver morte em local inacessível e risco para animais que apanhem o roedor
- Verifique diariamente (ou mais): menos sofrimento, menos cheiro, mais controlo
O que fazer depois de capturar (limpeza e prevenção)
Com luvas, remova o roedor e descarte em saco duplo bem fechado, seguindo as regras do seu município (em muitos casos, lixo indiferenciado). Depois:
- Ventile o espaço
- Evite varrer/aspirar dejetos a seco; humedeça e limpe
- Desinfete o porta-escovas e a zona (não misture lixívia com outros produtos)
- Lave bem as mãos
Para não voltar:
- Guarde alimentos (e ração) em recipientes rígidos com tampa
- Vede fendas e passagens (massa + rede metálica; espuma só se ficar protegida, porque roem)
- Reduza “abrigos”: caixas no chão, papel, cantos com tralha
- Corte fontes de água: pingos, condensação, taças de animais durante a noite
Quando esta armadilha não chega
Se houver avistamentos durante o dia, muitos dejetos, cheiro forte, ninhos, ou sinais em várias divisões, é provável que a infestação já esteja instalada. Nesses casos, normalmente compensa chamar uma empresa de controlo de pragas e, em paralelo, corrigir entradas estruturais.
O objetivo desta solução é interromper cedo e ganhar tempo - não substituir um plano completo quando o problema escalou.
FAQ:
- Esta armadilha é “humana”? Uma ratoeira de mola bem colocada tende a ser rápida. Se procura captura-viva, é outra abordagem (e libertar ratos não é recomendado por razões sanitárias e de reinfestação).
- Que isco funciona melhor em casa? Manteiga de amendoim costuma resultar por ser aromática e pegajosa. Chocolate e bacon também funcionam, mas estragam mais depressa.
- Quantas armadilhas devo colocar? Em geral, mais do que uma. Comece com 2–4 ao longo das rotas prováveis (paredes e cantos) e ajuste conforme os sinais.
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