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Diga adeus à air fryer: chegou um novo aparelho de cozinha tudo-em-um com nove métodos de confeção, muito para além da fritura.

Mulher cozinha com fritadeira de ar e forno na cozinha, com ingredientes frescos na bancada.

Na noite de uma terça-feira como tantas outras, o cheiro de nuggets de frango “feitos na air fryer” fica no ar da cozinha. A bancada parece um cemitério tecnológico: a air fryer ligeiramente engordurada, a liquidificadora esquecida, a panela de cozedura lenta que só vê a luz do dia no Natal. Olhas para o pouco espaço que sobra para picar uma cebola e perguntas-te quando é que cozinhar se tornou um jogo de Tetris com eletrodomésticos.

Depois, uma amiga envia-te uma fotografia: uma única máquina na bancada dela, a cozinhar salmão a vapor em silêncio, enquanto a massa do pão leveda numa função de aquecimento e os legumes assam num segundo nível. A mesma área ocupada, nove métodos de confeção, quase nenhum ruído. Parece aquele momento em que surgiram os smartphones e o teu leitor de MP3, de repente, ficou… velho.

Há uma sensação de que a air fryer pode já ter vivido o seu auge.

A silenciosa queda do trono da air fryer

A air fryer não chegou apenas - invadiu. Num dia a tua cozinha estava tranquila; no seguinte, estava cheia de ar quente a circular, a prometer batatas estaladiças sem culpa. As pessoas faziam fila nos supermercados, o YouTube explodia com “truques de air fryer” e, de repente, tudo, desde pão de banana a ovos cozidos, ia parar àquela caixinha barulhenta.

Mas, com o tempo, algo mudou. As ventoinhas a zunir, o cesto pequeno, o abanão constante da comida a meio da confeção começaram a parecer menos mágicos e mais… trabalhosos. Quando aparece um novo aparelho tudo‑em‑um a oferecer grelhar, assar, cozedura lenta, cozedura sob pressão, cozinhar a vapor, saltear, assar no forno, sous‑vide e, sim, air frying, o teu velho favorito começa a parecer muito 2019.

Vejamos a Emma, 37 anos, que vive num pequeno apartamento na cidade com uma cozinha em corredor, pouco mais larga do que o frigorífico. Durante o confinamento, jurava pela air fryer. Nuggets para as crianças, legumes “estaladiços” para ela - tudo passava pela máquina. Em dois anos, gastou dois modelos e encheu um armário de acessórios, desde espetos minúsculos a formas de queques em silicone que nunca funcionaram como prometiam.

No último outono, comprou uma multicooker tudo‑em‑um com tampa para dourar/estalar. Agora assa um frango inteiro, cozinha brócolos a vapor no tabuleiro superior e termina com uma função de alta temperatura para ficar crocante - tudo no mesmo recipiente. A air fryer ainda lá está, mas desligada, encostada atrás da torradeira. Ela admite que não lhe tocou há três meses. É assim que as tendências morrem de verdade: não com drama, mas num silêncio lento.

O que está a acontecer é simples. A air fryer resolveu um problema - “comida crocante, menos óleo” - mas o dia a dia pede mais. Queremos deixar um caril a apurar, fazer pão, cozinhar dumplings a vapor, aquecer sobras que não saibam a cartão. Um aparelho que faz nove métodos diferentes não só poupa espaço: muda a forma como pensas as refeições.

Passas a começar por “O que é que me apetece comer?” em vez de “O que é que cabe neste cesto?”. É uma mudança grande. E explica porque é que mais marcas estão a lançar estas máquinas híbridas que cozinham sob pressão, cozinham a vapor, assam, grelham, desidratam e até fazem sous‑vide, tudo numa só panela. Quando um único aparelho pode substituir a tua panela de cozedura lenta, o vaporizador, a panela de ferro fundido (tipo Dutch oven) e a air fryer, a hierarquia da tua bancada reorganiza-se sem pedir licença.

Como o novo tudo‑em‑um muda mesmo a tua forma de cozinhar

A primeira surpresa ao usar um destes novos aparelhos tudo‑em‑um é quantos “verbos de cozinha” passam, discretamente, a fazer parte do teu quotidiano. Na segunda-feira, deixas um guisado de vaca a cozinhar lentamente o dia todo e, no fim, dás-lhe um toque com a função de assar em alta temperatura para criar arestas caramelizadas. Na terça-feira, cozinhas salmão a vapor com delicadeza, mudas para saltear para fazer um molho de manteiga e manténs os pratos quentes na função de baixa temperatura enquanto as pessoas vão chegando à mesa.

Já não ficas preso ao modo “fritar ou não cozinhar”, que a air fryer criou sem querer. Podes combinar métodos: selar, depois cozinhar sob pressão, depois estalar. Grelhar e depois assar. Cozinhar a vapor e depois assar. É estranhamente como passar de um telemóvel de teclas para um smartphone. A ideia base é a mesma - calor e tempo - mas o número de coisas que consegues fazer multiplica-se.

Claro que há a fase de lua-de-mel em que tentas cozinhar literalmente tudo na máquina nova. Lasanha? Lá para dentro. Iogurte? Porque não. Pão? Vamos ver o que acontece. Algumas experiências são brilhantes, outras são desastres cómicos, mas a grande diferença é que o aparelho permite estilos muito diferentes de confeção no mesmo sítio.

Uma noite bastante típica com um aparelho de nove métodos pode ser assim: salteias cebola e alho no fundo, juntas tomate enlatado e feijão, cozinhas um chili sob pressão durante 15 minutos, depois abres a tampa e usas o modo “assar” para gratinar queijo ralado por cima. Enquanto isso termina, cozinhas milho a vapor no tabuleiro superior. Uma panela, uma tomada, muito pouca loiça. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas fazê-lo duas vezes por semana já muda a tua sensação de “comida feita em casa” versus “só aqueci qualquer coisa”.

A lógica por trás da mudança, afastando-se das air fryers independentes, não é apenas sobre funcionalidades - é sobre ritmo. Quantos mais métodos um aparelho integra, mais se adapta às realidades confusas da vida: reuniões que atrasam, crianças com fome, parceiros a mandar mensagem “já vou a caminho” quando, na verdade, ainda faltam 40 minutos.

Com uma máquina tudo‑em‑um, podes manter a comida quente sem a secar, cozinhar congelados sob pressão ou mudar de cozedura lenta para grelhar em alta temperatura no último minuto quando os planos mudam. Essa flexibilidade reduz um stress que a air fryer nunca resolveu bem. Batatas estaladiças são divertidas, mas uma refeição completa que aguenta o timing da vida real é outro nível de alívio.

Dar o salto: do hype de uso único para o verdadeiro “cavalo de batalha” da cozinha

Se estás tentado a despedir-te da air fryer a solo, o primeiro passo mais inteligente não é ir às compras - é observar a tua semana. Durante três ou quatro dias, toma nota do que cozinhas de facto: massa, congelados, sopas, assados de fim de semana, take-away reaquecido. Depois pergunta: onde é que a função de pressão me pouparia tempo, onde é que o vapor melhoraria a textura, onde é que grelhar evitaria ligar o forno grande?

Quando vires os teus padrões reais, consegues escolher um aparelho com o equilíbrio certo. Alguns modelos apostam mais na cozedura sob pressão e na cozedura lenta; outros brilham a grelhar e a assar. Verifica o tamanho da cuba interna, a facilidade de limpeza e se o painel faz sentido à primeira vista. Uma máquina pode dizer que tem nove métodos na caixa, mas se não consegues encontrar o botão “saltear” quando o óleo já está quente, vai acabar a ganhar pó atrás da batedeira.

Uma armadilha em que muitas pessoas caem é substituir desarrumação por… desarrumação nova. Compram o tudo‑em‑um e depois guardam todos os gadgets antigos “para o caso de serem precisos”, ficando com menos espaço útil do que antes. Há também o apego emocional à air fryer. É simples, amigável, familiar. Deixa as batatas estaladiças de forma fiável e não te obriga a aprender nada.

Por isso, um período de transição ajuda. Mantém as duas máquinas durante um mês. Cada vez que fores buscar a air fryer, pergunta-te: o tudo‑em‑um consegue fazer isto e ainda algo extra? Faz asas de frango crocantes na multicooker, mas usa a pressão na mesma noite para o arroz. Quando perceberes que um aparelho está a fazer o trabalho pesado, semana após semana, torna-se mais fácil largar os outros sem culpa. Todos já passámos por isso: aquele momento em que a porta do armário não fecha por causa de mais um gadget que “talvez um dia” vamos usar.

“Passar da minha air fryer para uma multicooker com tampa de dourar foi como passar de uma bicicleta com rodinhas para um carro a sério”, ri-se Marco, 42 anos. “No início só usava o botão ‘air fry’. Agora cozinho feijão sob pressão, faço pães a vapor, até desidrato fruta. A air fryer antiga está na cave e, sinceramente, não sinto falta dela.”

  • Começa com receitas familiares
    Passa as tuas batatas, asas ou legumes habituais da air fryer para a função de estalar/dourar do tudo‑em‑um, para não te sentires perdido.
  • Usa um método novo por semana
    Experimenta peixe a vapor numa semana, sopa em cozedura lenta na seguinte e depois testa a função de assar ou grelhar numa noite mais livre.
  • Decide o que queres manter, não o que queres deitar fora
    Escolhe duas ou três ferramentas essenciais em que confias mesmo - talvez uma boa frigideira, o tudo‑em‑um e uma chaleira - e deixa ir o resto.
  • Atenção aos custos escondidos
    Cestos antiaderentes e tampas extra desgastam-se; uma panela durável e uma boa cuba interna costumam durar mais do que vários gadgets baratos.
  • Ouve o nível de ruído
    Estes aparelhos novos tendem a emitir um zumbido suave em vez de um “rugido”, o que conta muito em casas em open space ou com crianças a dormir por perto.

Um novo tipo de “normal” na cozinha

Quando a novidade passa, fica isto: o jantar torna-se menos sobre lutar com aparelhos e mais sobre escolher o que te apetece comer hoje. Um tudo‑em‑um que consegue selar, cozinhar a vapor, fazer cozedura lenta, cozer sob pressão, grelhar e estalar torna a improvisação diária possível, mesmo quando estás cansado e o frigorífico parece meio vazio.

A despedida da air fryer independente não é um fim dramático. É uma mudança suave para ferramentas que respeitam o teu tempo e a tua curiosidade. Talvez ainda uses uma frigideira para um ovo estrelado rápido ou ligues o forno grande para um assado de festa. Ainda assim, a máquina compacta e silenciosa que faz nove métodos começa a parecer o verdadeiro centro da tua cozinha - não apenas o brinquedo do momento.

As pessoas vão continuar a discutir online sobre “os melhores eletrodomésticos” e “gadgets indispensáveis”. O que importa mais é o aparelho a que recorres numa quarta-feira caótica, quando só queres algo quente, saboroso e razoavelmente saudável na mesa. Isso, mais do que qualquer slogan de marketing, decide o que fica - e o que, lentamente, migra para o fundo do armário.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Nove métodos de confeção num só Cozedura sob pressão, cozedura lenta, vapor, saltear, assar, grelhar, assar no forno, sous‑vide, air fry Substitui vários gadgets, liberta espaço na bancada, adapta-se a muitas receitas
Confeção em camadas numa só panela Selar, depois cozinhar sob pressão, depois estalar ou assar em sequência Mais sabor, menos loiça, refeições mais rápidas durante a semana
Flexibilidade da vida real Manter quente, cozinhar a partir de congelados, funcionamento silencioso, design compacto Lida com atrasos, mudanças de última hora e cozinhas pequenas com menos stress

FAQ:

  • O tudo‑em‑um é mesmo melhor do que uma air fryer normal?
    Para tarefas simples, como batatas congeladas, ambos funcionam. O tudo‑em‑um ganha quando queres refeições completas, texturas diferentes ou a capacidade de cozinhar lentamente, a vapor e sob pressão, além de dourar/estalar.
  • A comida fica tão crocante nestas multicookers?
    Sim, desde que uses a tampa/função de estalar ou grelhar, não enchas demasiado o cesto e dês uma leve camada de óleo. Alguns utilizadores até acham que o dourado fica mais uniforme do que nas air fryers independentes.
  • Vai substituir também o meu forno?
    Para agregados pequenos ou cozinha do dia a dia, muitas vezes sim. Podes assar e grelhar na panela. Para refeições grandes de época festiva ou tabuleiros grandes de bolachas, o forno tradicional continua a ter a vantagem do tamanho.
  • É difícil aprender todos os modos diferentes?
    A curva de aprendizagem existe na primeira semana, mas a maioria das pessoas acaba por usar três ou quatro modos principais todos os dias e os restantes ocasionalmente. Começar com receitas familiares ajuda muito.
  • O que devo fazer com a minha air fryer antiga?
    Se ainda funcionar, considera doá-la a um estudante, a uma cozinha partilhada ou a um centro comunitário. Caso contrário, procura um ponto de reciclagem de eletrónicos na tua zona para não acabar simplesmente no lixo.

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