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Diga adeus ao sofá-cama: a Ikea apresenta uma nova solução para transformar pequenos espaços.

Mulher sorridente sentada no tapete, guarda objeto numa mesa de madeira na sala iluminada pelo sol, com sofá e plantas.

A noite em que percebi que a minha sala tinha oficialmente desistido de mim foi numa terça-feira. Tinha acabado de desdobrar o meu velho sofá-cama cinzento pela terceira vez nessa semana, a tentar receber um amigo num apartamento de 23 m² que já parecia uma mala aberta no chão. O colchão era irregular, o mecanismo rangia como se estivesse a apresentar uma queixa e, quando a cama finalmente ficou pronta, a sala parecia um armazém.
Então o meu amigo disse, meio a brincar, meio a sério: “Como é que tu consegues viver aqui?”

Essa pergunta ficou no ar.

Agora, a IKEA acha que tem uma nova resposta.

Porque é que o sofá-cama clássico está a desaparecer em silêncio

Basta andar por qualquer grande cidade para o sentir: as casas estão a encolher, as paredes parecem aproximar-se e, no entanto, as nossas vidas estão mais cheias. Trabalho, hobbies, visitas, crianças - às vezes tudo sobreposto nos mesmos 20 ou 30 metros quadrados. Durante anos, o sofá-cama foi o herói desajeitado desta história, puxado à noite, arrumado de manhã, a fingir que era sofá e cama e a não ser brilhante em nenhum dos dois.

A verdade é que o antigo modelo de desdobrar já não se encaixa na forma como vivemos.

Veja-se a Sofia, 29 anos, que arrenda um estúdio no quarto andar de um prédio sem elevador. O sofá-cama IKEA dela é de 2014, comprado quando saiu de casa dos pais. No primeiro ano, ela dobrava-o todas as manhãs, motivada e orgulhosa da sua vida adulta. No terceiro ano, a cama ficava aberta mais vezes do que fechada e as visitas eram obrigadas a sentar-se, desconfortáveis, em cima de roupa de cama amarrotada.

No mês passado, quando tentou vendê-lo online, o primeiro comentário que recebeu foi: “Afunda ao meio como todos os sofás-cama do mundo?”
Ela nem discutiu. Limitou-se a escrever “sim”.

O problema do sofá-cama tradicional não é só o conforto. É toda a experiência de utilização. Estruturas pesadas que raspam no chão, barras de metal debaixo de um colchão fino, sistemas de dobragem complicados, almofadas que não se sabe onde guardar. Acaba por reorganizar a sala duas vezes por dia - ou então desiste e vive em cima de uma cama meio feita.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.

Essa diferença entre a forma como os designers acham que nos comportamos e aquilo que realmente fazemos é exatamente onde a IKEA decidiu atacar.

A nova solução da IKEA para casas pequenas: mais do que “apenas um sofá-cama”

A IKEA está, discretamente, a empurrar-nos para dizer adeus ao velho monstro de desdobrar e olá a um novo formato: peças modulares e híbridas que são cama, sofá, arrumação e, por vezes, até divisória de espaço - tudo ao mesmo tempo. Em vez de um bloco pesado de mobiliário, recebe um sistema flexível que se adapta à sua vida, e não o contrário.

Pense em daybeds baixos que deslizam e se transformam em cama de casal, módulos de sofá que escondem gavetões fundos, encostos que se movem conforme quem vem lá a casa nessa noite.

Imagine isto: chega do trabalho a uma sala compacta, com um daybed de linhas limpas encostado à parede. Durante o dia, é um sofá generoso com almofadas grandes, uma mesa de apoio, talvez um candeeiro equilibrado sobre uma pilha de livros. À noite, puxa simplesmente um segundo colchão em calhas suaves - sem metal a bater, sem lutar com uma estrutura. Lençóis e edredões já estão guardados na gaveta por baixo.

A visita chega, você estende, atira duas almofadas e, de repente, o espaço parece um quarto calmo e acolhedor em vez de um campo de batalha de mobiliário. Ninguém fica preso por uma mesa de centro empurrada para um canto.

Do ponto de vista da IKEA, esta nova geração de móveis tem menos a ver com “dormir no sofá” e mais a ver com zonamento. Uma só peça consegue desenhar uma área de estar, um canto de dormir e um pouco de arrumação sem sufocar o espaço. Isso está alinhado com a forma como muitas pessoas realmente usam a casa: trabalhar na cama durante o dia, ver séries no sofá à noite, receber amigos ao fim de semana - às vezes nos mesmos quatro metros quadrados.

E a marca não está apenas a vender um produto: está a vender a sensação de que a sua casa pequena pode esticar um pouco mais, sem derrubar paredes.

Como escolher e usar a nova alternativa da IKEA na vida real

O primeiro passo concreto é simples: deixe de pensar “sofá” ou “cama” e comece a pensar “plataforma”. Quando olha para as peças mais recentes da IKEA - como daybeds com cama extra (tipo gavetão) ou assentos modulares com arrumação - imagine-as como uma base que pode “vestir” de forma diferente conforme o momento. De dia? Encoste almofadas à parede, junte uma manta e fica um lounge. De noite? Desobstrua o caminho da mesa de centro, puxe a extensão num só movimento e já está.

Meça a largura da divisão de parede a parede e escolha um modelo que possa estender totalmente sem bloquear o acesso à cozinha, à varanda ou à casa de banho.

Uma armadilha comum é mobilar em excesso à volta destas peças híbridas. Apaixona-se por uma mesa de centro enorme, mais uma cadeira, talvez um candeeiro de pé com uma base gigante. Depois, na primeira noite em que tenta abrir a cama por completo, acaba a arrastar móveis pelo chão como se estivesse a mudar de casa. Uma mesa pequena encaixável (nesting) e um candeeiro de parede mudam o jogo imediatamente.

Não se culpe se a primeira disposição não funcionar. Todos já passámos por aquele momento em que percebemos que a porta bate na cama sempre que a abrimos um pouco depressa demais.

Às vezes, o mobiliário mais inteligente não é o que tem mais funcionalidades, mas o que desaparece discretamente na sua vida e deixa de exigir atenção.

  • Escolha profundidade em vez de largura
    Opte por daybeds de largura compacta ou sofás modulares encostados à parede, mas com profundidade generosa para dormir e descansar.
  • Priorize a arrumação integrada
    Gavetas debaixo do assento valem ouro. Engolem roupa de cama, roupa de outras estações e aquela pilha misteriosa de “coisas” que nunca encontra lugar.
  • Pense no percurso diário
    Teste o caminho da porta para a cozinha e para a casa de banho com a cama totalmente estendida, antes de decidir.
  • Misture iluminação dura e suave
    Use candeeiros de parede, fitas LED por baixo de prateleiras ou luzes de leitura com mola, para manter o chão livre quando a cama desliza para fora.
  • Planeie para visitas, mas desenhe para si
    A sua disposição tem de funcionar 360 dias por ano para si - não apenas nas cinco noites em que um amigo lá dorme.

O que esta mudança diz sobre como queremos viver agora

Quando uma marca como a IKEA decide repensar algo tão familiar como o sofá-cama, não é apenas para vender um móvel novo. É um retrato de como as nossas vidas estão a mudar. Mais pessoas a viver sozinhas. Mais usos misturados na mesma divisão. Mais trabalho a partir de casa, mais streaming, menos refeições formais. O clássico sistema de desdobrar, com a sua estrutura rígida de metal e a visita “uma vez por ano”, pertence a outra era.

Hoje, quem vive em espaços pequenos quer algo que seja um ninho de Netflix ao domingo, um fundo para videochamadas na terça e uma cama confortável para visitas ao sábado - sem um espetáculo de circo pelo meio.

Há também um alívio emocional discreto escondido nestes designs. Quando a cama não domina a divisão de dia e de noite, a casa deixa de parecer um sítio provisório onde se cai e passa a parecer um lugar onde a vida cabe. Deixa de pedir desculpa às visitas pela confusão de lençóis. Deixa de se sentir com 19 anos sempre que desdobra o mesmo mecanismo antigo.

Estas novas peças não vão aumentar magicamente o seu apartamento, mas podem devolver-lhe uma sensação de controlo: a ideia de que é você quem escolhe como o espaço se comporta, em vez de ser mandado por um único objeto volumoso.

A verdade nua e crua é esta: muitos de nós ficam em casas pequenas mais tempo do que esperavam. Rendas a subir, carreiras flexíveis, cidades a mudar. Por isso, se a IKEA está a afastar-nos do sofá-cama clássico e a empurrar-nos para híbridos mais inteligentes, é porque percebeu que casas minúsculas já não são uma curta parêntese antes de começar a “vida a sério”.

Elas são a vida a sério.

E talvez seja por isso que esta nova geração de mobiliário compacto sabe a diferente: trata os nossos estúdios, apartamentos partilhados e micro-lofts não como compromissos, mas como cenários que merecem ser desenhados com cuidado.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Para além do sofá-cama Mudança de modelos clássicos de desdobrar para daybeds modulares e plataformas híbridas Ajuda a escolher mobiliário que realmente combina com a forma como vive num espaço pequeno
Desenhar a partir do movimento Planear a disposição com base em como a cama se estende e como se circula na divisão Reduz frustração diária e lutas noturnas com móveis
Arrumação escondida como regra Optar por gavetas e compartimentos sob o assento integrados na peça principal Mantém roupa de cama e desarrumação fora de vista, fazendo a casa parecer mais calma e maior

FAQ:

  • A IKEA está mesmo a abandonar os sofás-cama tradicionais?
    Não completamente, mas a marca está claramente a promover daybeds mais modulares, sistemas com cama extra (tipo gavetão) e sofás com arrumação como novo padrão para espaços pequenos.
  • Estas novas soluções são tão confortáveis como uma cama a sério?
    Muitos modelos usam colchões de tamanho standard ou plataformas combinadas de espuma, que muitas vezes se aproximam mais da sensação de uma cama normal do que os antigos sofás-cama com estrutura metálica.
  • Preciso de muito espaço para um daybed com cama extra?
    Precisa de largura suficiente para a extensão total, mas a ocupação pode ser menor do que a de um sofá-cama clássico quando se considera a folga necessária para o mecanismo de dobragem.
  • Posso usar estas peças como cama principal do dia a dia?
    Sim - é exatamente assim que muitos inquilinos e proprietários de casas pequenas as usam, sobretudo quando escolhem um colchão de boa qualidade e ripas de suporte.
  • E se eu me mudar para uma casa maior mais tarde?
    Peças modulares podem normalmente ser reconfiguradas como cama de visitas, canto de leitura ou sofá numa sala maior, pelo que tendem a adaptar-se melhor do que um modelo de desdobrar de uso único.

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