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E possivel transformar macas e peras podres em fertilizante ou composto uma forma ecologica de reciclar frutas para um jardim saudavel

Mãos com luvas despejam frutas em decomposição num compostor ao ar livre, com termómetro e vegetais.

Transformar maçãs e peras podres em composto é uma maneira simples de cortar no lixo e devolver matéria orgânica ao solo. Em geral é seguro - desde que tenha atenção a pragas, odores e (quando aplicável) ao risco de doenças das fruteiras.

Porque é que maçãs e peras podres são “ouro castanho” para o jardim

Maçãs e peras estragadas têm muita água e açúcares, por isso “puxam” pelo composto: alimentam microrganismos, aceleram a decomposição e ajudam a pilha a aquecer. O resultado não é um fertilizante químico concentrado, mas sim um melhorador de solo: melhora a estrutura, aumenta a capacidade de reter água e apoia a vida microbiana.

A parte menos positiva: essa mesma doçura pode atrair moscas, vespas e roedores se a fruta ficar exposta ou se entrar em excesso. Aqui, o que faz a diferença é o método (cobertura, oxigénio e equilíbrio).

O que fazer antes de atirar a fruta para o compostor

Antes de adicionar, confirme “que tipo de podridão” é e prepare tudo para diminuir cheiros e visitas indesejadas.

  • Remova autocolantes/etiquetas.
  • Corte em pedaços (2–5 cm costuma ser suficiente): decompõe mais depressa e o cheiro dura menos tempo.
  • Misture sempre com “castanhos” (materiais secos e ricos em carbono): folhas secas, aparas de madeira, cartão castanho sem plastificação, palha. Regra prática: por cada 1 parte de fruta, use 2–3 partes de castanhos (por volume) e não deixe fruta à vista.
  • Atenção a pragas e doenças: se suspeitar de fogo bacteriano (Erwinia amylovora) em pereiras/macieiras (ramos escuros com aspeto “queimado”, frutos mumificados), evite compostagem doméstica “fria”. Em caso de dúvida, siga as orientações fitossanitárias locais/municipais; muitas vezes a recomendação é encaminhar como resíduo indiferenciado para reduzir o risco de disseminação.

3 formas ecológicas (e realistas) de reciclar maçãs e peras podres

1) Compostagem “quente” (quando quer rapidez e segurança)

A fruta é ótima para “dar energia” à pilha, mas só funciona bem com ar e castanhos em quantidade. Idealmente, a pilha chega a 55–65 °C no centro (o suficiente para reduzir sementes e muitos problemas), o que pede volume, boa mistura e alguma manutenção.

Como fazer:

  1. Faça uma cama de castanhos (10–15 cm).
  2. Adicione a fruta cortada numa camada fina.
  3. Cubra imediatamente com castanhos (o passo mais importante).
  4. Mantenha a humidade tipo “esponja bem torcida” (se escorre, está húmido demais).
  5. Se der, revire a pilha a cada 1–2 semanas para entrar oxigénio e aquecer de forma mais uniforme.

Sinais bons: calor no centro e cheiro a terra húmida. Sinais maus: cheiro a álcool/vinagre (pouco ar) ou fruta a aparecer à superfície (falta de cobertura).

2) Compostagem em vala (trench composting): a opção “invisível”

Boa para quem quer zero pilhas e quase nenhuma manutenção. Resulta bem em canteiros em pousio ou antes de culturas exigentes (dê tempo para decompor).

Como fazer:

  • Abra uma vala com 20–30 cm de profundidade.
  • Coloque a fruta (cortada ajuda) e misture com folhas secas e um pouco de terra.
  • Tape bem e assinale o local.

Regra simples: quanto melhor tapado, menos cheiro e menos animais. Evite enterrar demasiado perto do tronco de árvores jovens.

3) Bokashi (fermentação): para apartamentos ou pouco espaço

O bokashi fermenta em anaeróbio num balde fechado: é prático, controla cheiros e lida bem com fruta muito madura. Não é “composto pronto”; é um pré-tratamento.

O que precisa:

  • Balde bokashi (com torneira facilita) e farelo bokashi.
  • Drene o líquido conforme indicado (se acumular, aumenta o cheiro).
  • Depois de fermentar, enterre na terra (a 15–20 cm) ou junte ao composto para terminar a decomposição. Espere 2–4 semanas no solo antes de plantar por cima, porque no início pode estar ácido.

Erros comuns (e como evitá-los sem complicar)

Quase todos os problemas começam com fruta a mais e mal coberta.

  • Fruta à superfície → enterre no centro e cubra com castanhos.
  • Demasiada fruta de uma só vez → congele e vá juntando aos poucos (também ajuda a romper tecidos e acelera a decomposição).
  • Pilha encharcada → adicione cartão rasgado/folhas secas e mexa para entrar ar.
  • Cheiro a álcool/vinagre → excesso de húmidos e falta de oxigénio; revire e aumente os castanhos.
  • Mosquitos da fruta (drosófilas) → recipiente fechado na cozinha + cobertura imediata no compostor.

A fruta acelera o composto, mas também acelera os problemas quando faltam cobertura e ar.

Quando é que o composto fica pronto (e como usar no jardim)

O composto maduro é escuro, solto, cheira a “terra de floresta” e já não tem pedaços reconhecíveis de fruta. Pode levar 2–6 meses numa compostagem quente bem gerida, ou mais tempo em pilhas frias (sobretudo no inverno).

Usos simples e eficazes:

  • Incorporar 2–5 cm na camada superficial do solo antes de plantar.
  • Usar como cobertura (mulch) à volta de árvores e arbustos, deixando 5–10 cm livres junto ao tronco para evitar humidade excessiva e problemas no colo.
  • Em vasos: usar no máximo 20–30% de composto na mistura, para não ficar pesado nem reter água a mais.

Guia rápido de escolha do método

Método Quando usar Dica-chave
Compostagem quente Quer rapidez e maior segurança sanitária Fruta em camadas finas, sempre coberta com castanhos
Vala (enterrar) Quer zero cheiro e zero manutenção 20–30 cm de profundidade e boa cobertura
Bokashi Pouco espaço / quer evitar pragas Balde bem selado + enterrar no fim

FAQ:

  • É seguro compostar maçãs e peras com bolor? Regra geral, sim, desde que a fruta esteja bem misturada e coberta, e o composto tenha boa atividade (calor/vida microbiana). Se houver suspeita de doenças graves (ex.: fogo bacteriano), evite compostagem fria e siga as orientações locais.
  • Isto substitui o adubo? O composto melhora o solo e liberta nutrientes de forma lenta. Para plantas exigentes (hortícolas em produção, citrinos em vaso), muitas vezes vale a pena complementar com adubação orgânica ajustada.
  • Vai atrair ratos? Pode, se a fruta ficar exposta ou entrar em grandes quantidades. Enterre no centro da pilha, cubra bem com castanhos e, se necessário, use um compostor fechado.
  • Posso pôr fruta no vermicompostor (minhocas)? Pode, mas em pequenas quantidades e sempre enterrada na cama. Congelar e descongelar antes costuma reduzir mosquitos e acelera o consumo.
  • Como sei se exagerei na fruta? Cheiro forte, líquido a escorrer, muitas moscas ou zonas “pastosas”. Suspenda a fruta por uns dias, aumente os castanhos e areje; normalmente estabiliza depressa.

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