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Em 2026, os edredões desaparecem: uma alternativa elegante, cómoda e prática conquista as casas francesas.

Pessoa a fazer a cama com lençóis brancos, almofadas bege e mesa-de-cabeceira com flores e chá.

“Já não temos edredão”, disse a Camille, entre o queijo e a sobremesa, como se tivesse acabado de confessar, com a maior naturalidade, que vive sem frigorífico. A mesa ficou em silêncio durante três segundos, garfos suspensos a meio caminho. Depois veio a avalanche de perguntas: “Mas com o que é que dormes?”, “Não tens frio?”, “E a capa… já não tens de lutar com ela?”

Ela riu-se e falou do seu novo setup de cama, que parece saído de um hotel boutique: sempre impecável, nunca com altos e baixos, e surpreendentemente fácil de lavar. Chega de edredão inchado, chega de peso húmido no verão, chega de perder a batalha com os cantos ao mudar a capa.

Desde essa noite, uma coisa é óbvia: o reinado do edredão nos quartos franceses está a começar a tremer.

A ascensão discreta da “cama em camadas” nas casas francesas

Entre num apartamento haussmanniano em Paris ou numa pequena casa renovada em Nantes e vai notar o mesmo detalhe: as camas estão diferentes. Mais baixas, mais estruturadas, com várias camadas visíveis em vez de um grande bloco de edredão insuflado. Fala-se de “roupa de cama estilo hotel”, “sobreposição escandinava”, ou “a cama americana”, mas estamos a falar da mesma coisa: uma cama bem feita com uma manta leve ou colcha, combinada com lençol de cima e mantas/decorativas.

A ideia é simples. Em vez de um edredão gigante que faz tudo (e muitas vezes faz mal metade do ano), dorme-se sob várias camadas mais leves, que se acrescentam ou tiram conforme a estação. O resultado: uma cama que respira, uma temperatura mais estável e aquela sensação fresca e limpa que se encontra nos bons hotéis.

E, discretamente, esta “cama em camadas” está a empurrar os edredões para fora dos quartos franceses, sobretudo nos apartamentos de cidade onde no verão se derrete de calor. Entre edifícios sobreaquecidos, ondas de calor e a obsessão crescente com estética no Instagram e no Pinterest, o edredão grosso de inverno começa a parecer um pouco ultrapassado. Até quem jurava que nunca o largaria começa a experimentar um lençol de cima “só para ver como é”.

Pergunte por aí e vai perceber que a história se repete. As pessoas não anunciam oficialmente que vão abandonar o edredão; simplesmente… deixam de o usar. Guardam-no “por umas noites” durante uma vaga de calor. Experimentam dormir só com um lençol e uma manta leve de algodão. Chega o inverno, juntam uma colcha. O edredão nunca chega realmente a voltar.

Veja-se o caso do Julien e da Sara, um casal em Toulouse com um apartamento pequeno e bem isolado. As noites de verão tinham-se tornado uma tortura debaixo do edredão quatro estações. Em junho, dobraram-no, guardaram-no num saco a vácuo e investiram num bom lençol de cima em percal e numa colcha de gramagem média. Achavam que voltariam a tirar o edredão em outubro.

Chegou outubro. Depois novembro. Depois janeiro.

Nunca mais abriram o saco. Com apenas o lençol, a colcha e uma manta de lã aos pés da cama, dormiram melhor, suaram menos e, de repente, a cama parecia saída de um catálogo. A única coisa de que se arrependeram foi de não o terem feito mais cedo.

Esta mudança diz muito sobre a forma como os franceses se relacionam com conforto e estética em 2026. O edredão foi durante muito tempo a escolha óbvia: prático, moderno, fácil. Mas entre as limitações da lavagem, a maior consciência sobre ácaros e os custos do aquecimento, as pessoas começaram a questionar hábitos. Um edredão enorme e espesso é acolhedor durante três semanas em janeiro… e um fardo nos outros onze meses.

A cama em camadas responde a uma nova lógica. Têxteis mais leves, que se lavam com mais frequência, adaptam-se ao clima, às estações, à TPM, aos suores noturnos, às crianças que se enfiam na cama, e a todas as pequenas realidades da vida. É mais modular - e esta modularidade tornou-se o novo luxo. O verdadeiro conforto é ter várias opções, não uma solução única, pesada, que nunca muda.

Há também um efeito psicológico. Uma cama plana, cuidadosamente sobreposta, convida a abrandar. Vê-se as dobras do lençol, a borda macia da manta, a textura da manta decorativa. Há menos vontade de se esconder debaixo de uma massa acolchoada gigante e mais desejo de se deitar em algo limpo, arejado e um pouco sensual. A cama deixa de parecer uma pilha cansada e passa a ser um espaço onde apetece entrar.

Como montar uma cama “sem edredão” de que vai mesmo gostar

A forma mais fácil de terminar com o edredão não é deitá-lo fora, mas “baixá-lo de categoria” para plano B. Dobre-o, guarde-o num saco protetor e dê à sua cama uma nova base: um bom lençol de baixo ajustável, mais um lençol de cima a sério. Percal de algodão ou linho lavado funcionam bem porque respiram e envelhecem com graça. Uma regra: o lençol de cima deve ser ligeiramente maior do que o colchão para ficar bem entalado e não subir durante a noite.

Por cima, acrescente uma manta de gramagem média ou uma colcha que cubra a cama toda, mas sem o volume enorme de um edredão. Isto dá aquela unidade visual de que as pessoas gostam, sem o efeito sauna. Se costuma ter frio, adicione uma manta de lã aos pés da cama, que pode puxar às 3 da manhã sem acordar o seu parceiro(a) nem ter de refazer a cama inteira.

Se é novo nos lençóis de cima, pode sentir-se um pouco perdido ao início. O lençol enruga, escorrega, dobra-se de forma estranha no fundo. Respire. Em poucas noites ajusta-se. O erro principal é escolher têxteis demasiado pesados ou demasiado sintéticos. Ficam bonitos na primeira semana e depois prendem calor, retêm cheiros e colam à pele. Ninguém quer sentir que está a dormir num saco de plástico.

A segunda armadilha comum é tentar recriar exatamente o volume de um edredão. Acaba por empilhar três mantas, uma colcha e duas mantas decorativas. Fica impressionante no Instagram e desconfortável na vida real. Vá com calma. Comece leve; acrescente mais uma camada se tiver frio. Sejamos honestos: ninguém faz isto religiosamente todos os dias.

A beleza da cama em camadas é que perdoa imperfeições. O lençol pode ficar um pouco torto, a manta ligeiramente descentrada. O que importa é a sensação quando se enfia lá para dentro. Se às 2 da manhã tem menos calor e às 7 está menos rabugento(a), está a fazer bem.

Algumas pessoas falam desta mudança com um alívio quase emocional.

“Durante anos senti-me culpada porque a capa do edredão ficava sempre torcida, os cantos nunca no sítio, e aquilo tudo com altos e baixos”, confessa Anaïs, 34 anos, de Lille. “Um dia tirei tudo, pus um lençol grande de algodão e uma colcha leve. De repente, a minha cama ficou mais bonita e a minha carga mental baixou. Já não luto com a capa do edredão. Ganhei de volta 20 minutos da minha vida em cada dia de lavandaria.”

Para a ajudar a explorar ou afinar esta vida sem edredão, aqui vai um retrato rápido do que muitas casas francesas estão a adotar:

  • 1 lençol de baixo ajustável que abrace bem o colchão
  • 1 lençol de cima generoso, grande e respirável
  • 1 colcha ou manta de gramagem média como camada principal
  • 1 manta extra ou manta de lã aos pés da cama
  • 2 a 4 almofadas com fronhas de que gosta mesmo

Esta é a base. Depois, cada um personaliza: uns trocam a colcha por um boutis, outros acrescentam uma colcha leve de verão, alguns mantêm um edredão fino de meia-estação para vagas de frio. Não há dogmas aqui, só uma tendência clara: o fim do edredão gigante, para o ano inteiro, como solução por defeito.

Uma nova ideia de conforto, para lá do edredão

Por trás desta saída silenciosa do edredão há mais do que uma moda de decoração. As casas francesas estão a mudar com o clima, o preço da energia, os espaços mais pequenos e a vontade de interiores que sejam um refúgio sem serem abafados. Um edredão pesado pertence a um tempo em que os invernos eram mais duros dentro de casa e não se questionava tanto os têxteis nem a regulação térmica.

A cama em camadas parece mais adulta, mais intencional. Exige um bocadinho mais de atenção no início e, em troca, dá suavidade diária, lavagens mais fáceis e um quarto que parece imediatamente mais sereno. Largar o edredão não é ser trendy; é ajustar as noites à forma como vivemos agora: em apartamentos sobreaquecidos, com estações imprevisíveis, telemóveis na mesa de cabeceira e cérebros que não desligam facilmente.

O mais engraçado é que muitos de nós crescemos a odiar a era do lençol de cima e jurámos fidelidade ao edredão. E agora aqui estamos nós, a dobrar lençóis com cuidado, a comparar gramagens de mantas e a enviar fotos uns aos outros da “manta decorativa perfeita”. O círculo fechou-se, quase sem darmos conta, e 2026 pode ser lembrado como o ano em que os quartos franceses viraram discretamente a página do seu grande ícone acolchoado.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Conceito de cama em camadas Combinar lençol de cima, manta/colcha de gramagem média e manta opcional Conforto personalizável ao longo das estações
Escolha de têxteis Lençóis em percal de algodão ou linho lavado, fibras naturais respiráveis Melhor qualidade de sono, menos suor, manutenção mais fácil
Benefícios práticos Menos dores de cabeça com a lavandaria, fim da luta com a capa do edredão, aspeto mais limpo Tempo poupado, menor carga mental, quarto visualmente mais calmo

FAQ:

  • A cama em camadas é mesmo quente o suficiente no inverno? Sim. Se combinar um bom lençol de cima, uma colcha ou manta de qualidade e uma manta de lã, terá um nível de calor equivalente ao de um edredão de inverno, com a vantagem de poder ajustar camada a camada.
  • Tenho de comprar tudo novo para deixar de usar edredão? Não. Comece com o que já tem: um lençol raso, uma manta antiga, uma manta do sofá. Teste a sensação durante algumas noites e, depois, invista gradualmente em peças melhores se gostar.
  • O lençol de cima não é irritante de entalar todas as manhãs? Requer algum hábito, mas é mais rápido do que mudar uma capa de edredão. A maioria das pessoas acaba por fazer um “entalar à hotel” em menos de um minuto, depois de se habituar.
  • E os ácaros e alergias sem edredão? Lençóis e mantas laváveis são, na prática, mais fáceis de limpar com frequência do que edredões espessos. Pode lavar mais vezes o que está em contacto direto com a pele, o que tende a ajudar quem é sensível.
  • Uma cama sem edredão pode continuar acolhedora e não demasiado “hotel”? Absolutamente. Brinque com texturas e cores: uma manta tricotada macia, uma colcha texturada, almofadas em tons naturais. A chave é a sobreposição, não a perfeição. Um lençol de linho ligeiramente amarrotado pode ser tão acolhedor quanto um edredão fofo - e muitas vezes mais chic.

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