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Este hábito de um minuto pode aumentar a autoconfiança do seu filho.

Menino e mulher fazem "high five" na mesa, sorridentes, com material de desenho e plantas ao fundo.

Between trabalhos de casa esquecidos, sapatos desaparecidos e a corrida porta fora, os pais raramente sentem que têm tempo para “truques” extra de parentalidade. Mas uma psicóloga infantil defende que um hábito de 60 segundos, feito ao nível dos olhos da criança, pode aumentar de forma consistente a sua confiança, acalmar as suas preocupações e até tornar a escola menos intimidante.

Um ritual de um minuto que fica mesmo

A psicóloga infantil francesa Marine Darnat popularizou uma curta técnica matinal baseada em frases positivas e concretas. A ideia é simples: ajuda-se a criança a dizer uma série de frases “Eu sou...” enquanto usa os dedos para as contar.

O gesto torna as palavras mais físicas e memoráveis, sobretudo para crianças pequenas, que respondem fortemente ao toque e ao movimento. Toda a rotina dura menos de um minuto, encaixa facilmente entre escovar os dentes e calçar os sapatos, e transforma-se num pequeno jogo em vez de uma lição.

Frases repetidas e credíveis, ditas em voz alta com um adulto cuidador, ajudam a criança a construir uma voz interior que apoia em vez de atacar.

Como funciona o jogo da mão que aumenta a confiança

A técnica começa com uma preparação simples. Fica-se de pé ou sentado à altura da criança, olha-se nos olhos e estende-se a mão, com a palma virada para cima. Depois, toca-se suavemente em cada dedo, um a um, enquanto se diz uma frase curta em conjunto.

As seis frases-chave

Eis uma versão típica do ritual:

  • “Eu sou amado(a)”
  • “Eu sou capaz”
  • “Eu sou corajoso(a)”
  • “Eu sou inteligente”
  • “Eu sou gentil”
  • “Eu tenho orgulho em mim”

A cada frase, um dedo levanta-se. Quando todos os dedos estão levantados, a criança fecha a mão como se estivesse a agarrar algo precioso. Depois vem a parte divertida: finge colocar este “pacote de confiança” no bolso ou na mochila “para o dia”.

O pequeno ritual transforma ideias abstratas como coragem ou gentileza em algo que a criança pode literalmente segurar na mão e “levar” para a escola.

Os psicólogos falam muitas vezes de “cognição incorporada” - a forma como gestos e ações físicas reforçam a aprendizagem. Aqui, a combinação de toque, repetição e contacto visual ajuda a fixar as afirmações na memória da criança.

Porque é que estas frases funcionam na mente de uma criança

As frases escolhidas falam de seis pilares que muitas vezes moldam a autoimagem da criança:

Frase O que reforça
Eu sou amado(a) Um sentimento de segurança e pertença
Eu sou capaz A crença de que consegue aprender e tentar
Eu sou corajoso(a) Capacidade de enfrentar medos e situações novas
Eu sou inteligente Confiança no seu pensamento e na resolução de problemas
Eu sou gentil Valor atribuído à empatia e ao comportamento, não apenas aos resultados
Eu tenho orgulho em mim Satisfação interna em vez de procurar apenas aprovação dos adultos

Estas ideias refletem um vasto conjunto de investigação sobre autoestima e saúde mental na infância. Quando as crianças ouvem repetidamente coisas positivas específicas e realistas sobre si próprias, começam a construir aquilo a que os psicólogos chamam uma “base segura” - um sentido estável de valor que não colapsa após uma má nota ou uma discussão no recreio.

O que as escolas já estão a testar

A autoconfiança não é moldada apenas em casa. Algumas escolas do 1.º ciclo já integram princípios semelhantes no horário através de programas estruturados.

Um desses programas, conhecido como “Treasure File” e estudado na revista Nature, pede aos alunos que registem os seus sucessos, pontos fortes e experiências positivas num documento pessoal de “tesouros”. Os investigadores relataram ganhos visíveis na autoestima das crianças depois de seguirem esta abordagem em sala de aula.

Quando as crianças nomeiam os seus pontos fortes, acompanham pequenas vitórias e voltam a elas regularmente, o seu sentido de competência cresce de forma constante.

Muitos professores usam agora pequenos momentos do dia - a chamada matinal, o fim das aulas - para convidar os alunos a apontar algo que fizeram bem ou um desafio que enfrentaram. Combinado com um ritual diário em família em casa, isto cria um eco forte: a mensagem de que são capazes e valorizados vem de vários adultos de confiança, e não apenas de um.

Transformar o hábito num jogo, não numa pressão

O sucesso deste método de um minuto depende sobretudo do tom. O ritual precisa de calor humano, não de desempenho. As crianças resistem rapidamente a tudo o que pareça forçado ou falso.

Dicas práticas para pais

  • Mantenha a voz calma e brincalhona, quase como uma lengalenga.
  • Participe: diga “nós somos corajosos” em alguns dias, para parecer um esforço de equipa.
  • Adapte as palavras à idade e personalidade do seu filho.
  • Reconheça manhãs difíceis: “Mesmo quando te sentes cansado(a), continuas a ser capaz.”
  • Use o gesto do “bolso” mais tarde durante o dia para lhes lembrar o ritual.

Para uma criança tímida, “Eu sou corajoso(a)” pode significar responder a uma pergunta na aula. Para uma criança que tem dificuldades na leitura, “Eu sou capaz” pode focar-se no esforço: “Eu consigo tentar outra vez” em vez de “Eu sou bom/boa em tudo”.

Quando as afirmações podem correr mal

Nem todas as frases positivas ajudam. Se uma criança ouve constantemente “És o/a melhor” ou “És um génio”, pode ficar bloqueada sempre que algo parece difícil. A distância entre o elogio e a realidade torna-se demasiado grande.

Os psicólogos alertam contra a bajulação vazia. Uma criança que sabe que tem dificuldades a matemática não vai acreditar em “És incrível a matemática”. Pode sentir-se incompreendida ou pressionada. As frases funcionam melhor quando reconhecem esforço e crescimento: “Estás a aprender a lidar com problemas difíceis”, “Continuas mesmo quando é difícil”.

A confiança cresce quando os elogios parecem honestos e ligados a ações reais, não quando soam a slogan.

Construir uma confiança realista, não frágil

O ritual da mão de um minuto não é mágico por si só. Torna-se poderoso quando é acompanhado por uma comunicação diária que transmite a mesma mensagem: os erros são permitidos, o esforço conta, e o amor não depende do desempenho.

Os pais podem reforçar isto fazendo perguntas específicas depois da escola, como: “O que conseguiste fazer hoje que ontem era difícil?” ou “Com quem foste gentil hoje?” Estas perguntas orientam suavemente a atenção para o crescimento e os valores, não apenas para as notas ou problemas de comportamento.

Exemplos de situações do dia a dia

Imagine uma criança que tem medo de falar em voz alta na aula. Após algumas semanas do ritual matinal, levanta a mão para ler uma frase. Em casa, o pai ou a mãe liga essa ação às frases que repetem juntos: “Isso foi seres corajoso(a) e capaz.” A criança começa a associar as palavras abstratas da manhã a comportamentos reais.

Outro cenário: uma criança traz para casa um teste com uma nota baixa. Em vez de partir para a crítica ou para uma tranquilização exagerada, o pai ou a mãe senta-se e revisita calmamente o ritual da mão. “Tu és inteligente” passa a significar “Consegues aprender com isto e perceber o que correu mal.” O foco muda do fracasso para o próximo passo.

Hábitos relacionados que amplificam o efeito

Para famílias que querem ir mais longe, esta prática de um minuto pode ser combinada com rotinas semanais simples:

  • Um “vitórias da semana” no frigorífico, onde cada membro da família escreve uma coisa de que tem orgulho.
  • Uma pergunta ao deitar: “O que gostaste em ti hoje?”
  • Desenhar as seis frases com cores ou símbolos para que as crianças mais pequenas possam “ver” cada ideia.

Com o tempo, estes pequenos gestos constroem uma linguagem partilhada em torno de pontos fortes, coragem e gentileza. A criança não se limita a repetir frases; começa a reconhecê-las em ação, em si e nos outros.

Para os pais que se sentem sobrecarregados, o apelo desta técnica está na sua simplicidade. Não exige livros, ecrãs ou formação especializada. Basta uma mão, algumas palavras e um momento de atenção genuína antes de começar o dia.

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