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Investigadores dizem que pessoas que andam mais rápido que a média tendem a ser mais bem-sucedidas e mentalmente mais ágeis do que as que andam devagar.

Homem a caminhar na rua com café e caderno na mão, árvores e outras pessoas ao fundo num dia ensolarado.

O tipo do casaco azul estava atrasado. Dava para perceber a cinquenta metros de distância. Cabeça ligeiramente inclinada para a frente, pés a aterrar com propósito, telemóvel na mão mas sem olhar realmente para ele. Cortava a multidão naquele estilo de segunda-feira de manhã que diz: o meu cérebro já vai nas 10:00, mesmo que o relógio marque 8:47.

Ao lado dele, outro homem percorria o mesmo passeio como se fosse uma tarde de domingo numa vila costeira adormecida. A mesma distância a fazer. O mesmo sinal verde. E, no entanto, não estavam de todo a viver o mesmo dia.

Nas ruas da cidade, nos corredores dos escritórios, nos campus das escolas, investigadores em comportamento têm, discretamente, cronometrado e observado pessoas como estas há anos. A conclusão é desconfortável.

A tua velocidade a andar pode revelar muito mais sobre o teu sucesso e a tua agudeza mental do que imaginas.

O que o teu ritmo a andar diz em silêncio sobre o teu cérebro

Observa qualquer estação movimentada na hora de ponta e podes jogar um pequeno jogo estranho: quem parece comandar a situação, e quem parece ser levado pelo dia em vez de o conduzir.

Quem anda depressa tende a ter uma energia específica. Os olhos varrem o caminho à frente, os passos são consistentes, fazem ziguezagues como se conseguissem ver três jogadas no futuro. Não há pânico - apenas urgência. Uma espécie de motor interior silencioso.

Quem anda mais devagar, por outro lado, muitas vezes vagueia. Pára a meio do corredor, verifica mais uma notificação, hesita nas portas. A linguagem corporal diz: “o mundo decide”. A afirmação dos investigadores é simples: esta diferença não é apenas física. É mental.

Vários estudos de grande dimensão acompanharam milhares de pessoas ao longo do tempo, ligando a velocidade ao andar à cognição e a resultados de vida. Um estudo britânico com adultos de meia-idade associou um passo vivo a melhor memória e capacidade de resolução de problemas anos mais tarde. Outro concluiu que as pessoas que andam mais depressa do que a média tendem a ganhar mais e a atingir posições mais altas no trabalho.

A lógica não tem nada de mágico. Quem anda depressa não nasce como futuro CEO. Ainda assim, os dados repetem o mesmo padrão: quem anda mais rápido reporta mais frequentemente sentir-se produtivo, ter mais objetivos e manter-se mentalmente alerta ao longo do dia.

Imagina dois colegas a sair da mesma reunião. Um sai a passo firme, já a filtrar ideias, a tomar microdecisões enquanto anda. O outro vai a passo lento até à máquina de café, a fazer scroll, a perder o fio à discussão. A mesma reunião, consequências mentais diferentes.

Os investigadores em comportamento têm uma hipótese: o ritmo a andar reflete a forma como o teu cérebro gere o tempo e a atenção. Um passo vivo e deliberado costuma combinar com uma mente que prioriza, antecipa obstáculos e valoriza o impulso.

Quando andas mais depressa, estás literalmente a alinhar o corpo com um relógio interior mais apertado. O cérebro tem de coordenar equilíbrio, escolhas de percurso, navegação social. São muitas mini-contas por minuto. Quanto mais o fazes, mais os circuitos neuronais se habituam a estar “online” e responsivos.

Andar mais devagar pode, por vezes, refletir o oposto: foco fragmentado, pouca energia ou um sentido de urgência pouco definido. Não significa que alguém seja preguiçoso ou menos inteligente. Pode simplesmente indicar que o motor interior está ao ralenti em vez de acelerar.

Como “melhorar” o teu ritmo com suavidade sem te tornares um robô

Não precisas de começar a fazer marcha rápida como um influenciador de fitness. Um método simples do coaching comportamental é a “regra dos +10%”. No teu percurso habitual, escolhe um marco: a padaria, a paragem de autocarro, a mercearia da esquina. Faz a distância uma vez ao teu ritmo normal. Depois faz novamente, apenas 10% mais depressa.

Não deves ficar sem fôlego. Deves apenas sentir-te ligeiramente mais intencional. Braços a balançar um pouco mais, olhar mais à frente, passadas um bocadinho mais longas.

Repete isso uma vez por dia em qualquer trajeto curto. Ao fim de algumas semanas, este passa a ser o teu novo “normal”. O cérebro adapta-se em silêncio, e começas a sentir que o corpo quer chegar aos sítios em vez de ir a dériva.

Há, no entanto, uma armadilha. Algumas pessoas ouvem “quem anda depressa tem mais sucesso” e entram imediatamente em modo de compensação excessiva. Começam a correr de um lado para o outro, ombros tensos, maxilar contraído, a esbarrar nas pessoas como bolas de bowling com auscultadores. Isso não é mais agudo. É apenas stressado.

O que os especialistas em comportamento descrevem não é velocidade frenética. É um ritmo com propósito. Um pouco como aquele amigo que chega sempre dois minutos mais cedo sem parecer que veio a sprintar desde o estacionamento.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que percebes que atravessaste um dia inteiro como se fosse nevoeiro - a andar devagar, mente dispersa, sem nenhuma decisão real. A ideia não é julgar esses dias, mas reduzir suavemente a frequência com que acontecem.

Um investigador com quem falei resumiu tudo numa única frase:

“A tua velocidade a andar é muitas vezes a expressão física diária de quão a sério levas o teu próprio tempo.”

Eles sugerem observar três coisas na tua próxima caminhada até à loja ou ao escritório:

  • Os teus olhos: estão a olhar para a frente, para onde vais, ou colados aos teus pés e ao telemóvel?
  • A tua postura: estás ligeiramente inclinado na direção do movimento, ou descaído para trás como se o dia te arrastasse?
  • O teu ritmo: os passos parecem uma batida clara, ou um arrastar aleatório que pára a cada cinco metros?

O objetivo não é tornares-te um robô em marcha, mas andar como se os teus minutos te pertencessem. Quando o teu corpo se move com essa convicção silenciosa, a tua mente tende a acompanhar.

Repensar o sucesso: não é só velocidade, é intenção

Quando começas a reparar nas velocidades a andar, o mundo parece diferente. A política de escritório, a vida na cidade, até as dinâmicas familiares ficam visíveis no passeio. O adolescente atrasado para a aula que só sprinta quando o portão da escola já está à vista. O gestor que se desloca de sala em sala a um ritmo constante, como se existisse sempre um próximo passo claro.

Isto pode ser inquietante. Podes dar por ti a pensar: “Tenho andado pela minha vida em modo lento?” Essa pergunta dói por um segundo. Depois abre uma porta. Porque o ritmo é uma das raras coisas que podes mudar hoje - sem pedir autorização, sem orçamento, sem aplicação.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar. Algumas manhãs vais arrastar os pés. Algumas noites vais andar sem energia. O que importa é que, algumas vezes por dia, te lembres de que podes escolher. Podes levantar o olhar, acertar o ritmo e mover-te como se os teus objetivos estivessem à espera na esquina seguinte.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A velocidade a andar reflete agudeza mental Estudos ligam um ritmo mais rápido do que a média a melhor cognição e resolução de problemas Ajuda-te a ler o teu estado diário e a ajustar antes de burnout ou de ires à deriva
Um ritmo vivo correlaciona-se com maior sucesso Quem anda mais depressa reporta frequentemente maior rendimento, mais responsabilidade e maior foco em objetivos Dá-te um sinal simples e observável para alinhar o comportamento com as tuas ambições
Podes treinar o ritmo de forma suave Com pequenas práticas como a “regra dos +10%” e atenção à postura Oferece uma forma prática e de baixo esforço de aumentar energia e presença no dia a dia

FAQ:

  • Pergunta 1 Andar depressa significa mesmo que sou mais inteligente?
    Resposta 1 Não. A velocidade a andar não mede a inteligência diretamente. A investigação sugere uma ligação com agudeza mental e velocidade de processamento, mas personalidade, saúde e estilo de vida também têm influência.
  • Pergunta 2 E se fisicamente não conseguir andar mais depressa por questões de saúde?
    Resposta 2 Então o ritmo não é a tua referência. Ainda assim, podes aplicar a ideia de “movimento com propósito” à forma como te sentas, te levantas, falas e planeias o teu dia. O que mais importa é a intenção, não a velocidade bruta.
  • Pergunta 3 Posso tornar-me uma pessoa que anda mais depressa em qualquer idade?
    Resposta 3 Em muitos casos, sim. Com aprovação do teu médico, prática gradual como passadas ligeiramente mais longas, melhor postura e pequenos intervalos a ritmo vivo podem elevar o teu ritmo natural ao longo do tempo.
  • Pergunta 4 Andar sempre a correr de um lado para o outro é o mesmo que ser um “andarilho rápido”?
    Resposta 4 Não. Andar a correr é caótico e stressante. A investigação comportamental aponta mais para um andar constante e com propósito: ombros relaxados, respiração normal, mas com direção clara e impulso.
  • Pergunta 5 Em quanto tempo devo notar mudanças no humor ou no foco?
    Resposta 5 Muitas pessoas notam diferença de energia e clareza ao fim de uma semana a andar conscientemente um pouco mais depressa e mais direito em trajetos curtos diários. Para hábitos mais profundos, pensa em meses, não em dias.

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