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O croque-monsieur em waffle de Norbert Tarayre: o snack surpresa que desaparece em minutos.

Mãos a separar um waffle recheado com queijo derretido, com vapor visível e acompanhamentos ao fundo.

Queijoso, estaladiço, ligeiramente trapalhão - e some antes de se dar conta de que já está na mesa.

Este é o novo snack francês.

Nesta estação, o chef francês e figura televisiva Norbert Tarayre reinventou, quase sem alarido, um clássico de café e transformou-o numa “bomba” de waffle para comer com a mão. Meio brioche, meio street food, o seu croque-monsieur em waffle já corre nas redes sociais e começa a aparecer em cartas de brunch, numa altura em que muitos cozinheiros procuram pratos reconfortantes e consensuais, mas ainda assim divertidos e com um toque inesperado.

O chef que está a virar um clássico parisiense do avesso

Norbert Tarayre é uma cara familiar em França. Ex-concorrente do “Top Chef”, foi construindo a reputação com uma cozinha descontraída e bem-disposta, com base sólida de bistrô. Em vez de correr atrás do estatuto da alta gastronomia, aposta no conforto: queijo a derreter, bom fiambre, pão macio e sabores marcantes. O seu mais recente êxito, o croque-monsieur em waffle, encaixa perfeitamente nessa filosofia.

A premissa parece simples até demais. Pegue no querido croque-monsieur - tosta, fiambre, queijo e, por vezes, béchamel - e troque as fatias de pão por um waffle espesso, tipo brioche, feito numa máquina de waffles. O resultado fica algures entre um grilled cheese, um waffle recheado e uma sandes tostada de cafetaria.

Massa macia ao estilo brioche, fiambre fumado e queijo elástico prensados numa máquina de waffles bem quente: um clássico de café vira street food a sério.

Criadores de conteúdo gastronómico em França partilham agora as suas versões, enquanto cozinheiros em casa o fazem para brunch, ceias tardias e jantares de crianças. O formato acerta: parece novidade, mas sabe a familiar em cada dentada.

Um waffle que se come como brioche

O que distingue a versão de Tarayre está na base. Ele põe de lado a massa típica de waffle e escolhe uma massa rica, ao estilo brioche. Isso implica farinha, leite, ovos, açúcar e uma dose generosa de manteiga, ligados com fermento de padeiro para uma levedação lenta e um miolo leve.

O resultado não lembra um waffle de Bruxelas, leve e muito estaladiço. Comporta-se mais como um pão enriquecido, com interior tenro que segura o queijo derretido. Ao mesmo tempo, a máquina cria sulcos fundos e uma crosta tostada, quase caramelizada.

Elemento Croque-monsieur clássico Croque em waffle do Norbert
Base de pão Pão de forma fatiado / pain de mie Massa levedada tipo brioche, cozinhada como waffle
Textura exterior Tostado, ligeiramente estaladiço Crosta bem dourada, com padrão de waffle
Textura interior Pão macio com béchamel e queijo Miolo húmido e arejado à volta de um centro derretido

Esta massa de brioche faz mais do que mudar a aparência. Muda a forma de comer a sandes. As cavidades do waffle seguram manteiga e um toque de sal por cima, enquanto o interior se mantém leve, quase como pão de padaria a envolver fiambre e queijo.

Recheado como sandes, cozinhado como waffle

A construção do snack segue um esquema direto: dividir a massa já levedada em bolas, achatá-las, colocar fiambre e queijo no centro e fechar beliscando as bordas para selar. Cada bola vira um pequeno embrulho recheado que vai diretamente para a máquina de waffles bem quente, untada com manteiga.

O recheio fica dentro da massa, não entre duas fatias. Assim, o queijo fica protegido, o fiambre mantém-se suculento e o exterior não seca.

Quando a máquina fecha, a massa estica para ocupar o molde, surge a grelha e a gordura da manteiga e do queijo mistura-se com a massa enriquecida. Por fora, ganha um dourado intenso; por dentro, mantém-se húmido. O timing é tudo: abrir cedo demais pode rasgar o waffle; deixar tempo a mais pode escurecer a crosta antes de o queijo atingir o auge do derretido.

Porque desaparece em minutos

O “efeito desaparecimento” não se explica só pelo tamanho da porção ou por modas. Há vários motivos que tornam este snack perigosamente fácil de devorar.

  • Formato para comer à mão: dispensa talheres e nem exige prato. Está mais perto de um hambúrguer do que de um prato de café.
  • Sabores de conforto: fiambre, queijo suave a derreter e massa amanteigada acertam nas mesmas notas das tostas mistas e sandes tostadas clássicas.
  • Contraste de texturas: sulcos estaladiços por fora, interior fofo como almofada e queijo cremoso e elástico ao morder.
  • Rapidez até chegar à mesa: com a massa pronta, cada waffle faz-se em poucos minutos.

Numa festa, funcionam como comida de partilha numa tábua. Ao brunch, substituem panquecas ou rabanadas para quem prefere opções salgadas. As famílias também os usam para dar nova vida à eterna sandes de fiambre e queijo sem assustar os mais esquisitos.

Do bistrô francês a tendência global de street food

O croque-monsieur em waffle acompanha uma tendência global mais ampla: clássicos reimaginados em formatos portáteis e “Instagramáveis”. Pense em hambúrgueres de ramen, burritos de sushi ou corn dogs coreanos. Aqui, uma sandes parisiense tradicional torna-se um objeto de street food que cabe numa bandeja de papel ou numa caixa para levar.

Este tipo de fusão acerta em três alvos: nostalgia, novidade e praticidade para entregas e comida em movimento.

Para negócios com margens apertadas e clientes exigentes, o formato é vantajoso. Os ingredientes continuam relativamente comuns - farinha, lacticínios, charcutaria - enquanto a criatividade percebida ajuda a subir o preço. A grelha do waffle também “agarra” bem molhos e coberturas, se o espaço quiser assinar a proposta: creme de mostarda, maionese de trufa ou mel picante, por exemplo.

Variações que mantêm o conceito em movimento

O próprio Tarayre incentiva variações, e cozinhas profissionais já estão a adaptar a ideia a gostos locais e preferências alimentares. Uns trocam o fiambre por salmão fumado e ervas frescas. Outros fazem versões sem carne, com legumes grelhados e queijos mais intensos.

Alterações populares ao croque em waffle

  • Opção de marisco: salmão fumado, creme de cebolinho e raspa de limão dentro de uma massa mais leve, servido com salada de pepino.
  • Prato vegetariano: tiras de curgete, pimento e beringela grelhados com queijo de cabra ou queijo tipo raclette.
  • Versão extra-queijosa: camada dupla de Emmental ou cheddar para um centro que escorre assim que o waffle é cortado.

Fora de França, a fusão ajusta-se facilmente. Nos EUA, pode usar-se cheddar mais intenso, fiambre de peru ou até pedaços de bacon. No Reino Unido, Red Leicester ou um Cheddar curado podem substituir queijos franceses, e relishes ao estilo Branston ou mostarda inglesa entram no recheio. O método base mantém-se, mas os ingredientes regionais dão-lhe um sotaque próprio.

O que os cozinheiros caseiros devem saber antes de tentar

A ideia parece fácil, mas a técnica tem armadilhas. A massa tipo brioche tende a ser pegajosa. Muitos iniciantes juntam farinha a mais, o que acaba num waffle denso e seco. Vale a pena ter paciência a amassar e a deixar levedar, porque o desenvolvimento do glúten cria o miolo arejado que aguenta o recheio.

Outro ponto crítico é o queijo. Se o recheio for empurrado demasiado para as bordas, pode escorrer para a máquina de waffles e queimar. Manter o recheio centrado e selar bem a massa costuma evitar o problema. Máquinas de waffles com grelha profunda funcionam melhor do que as mais rasas, porque dão espaço para a massa expandir sem “forçar” o queijo a sair.

Perspetiva nutricional e controlo de porções

Do ponto de vista nutricional, o croque-monsieur em waffle cai na categoria de “comida de conforto”. A combinação de farinha branca, lacticínios gordos e carnes processadas torna-o energético e rico em gordura saturada e sal. Por isso, nutricionistas tenderiam a vê-lo como um mimo ocasional, e não como hábito para todas as noites.

Alguns cozinheiros contornam isto reduzindo o tamanho. Versões mini, servidas como entradas, mantêm o impacto de sabor com menos quantidade. Outros escolhem recheios mais magros, juntam uma salada grande como acompanhamento ou usam uma massa parcialmente integral para aumentar a fibra. Nenhuma destas mudanças o transforma em “comida saudável”, mas ajudam a encaixá-lo numa refeição mais equilibrada.

Para onde a tendência pode seguir a seguir

O croque-monsieur em waffle aparece numa altura em que muitos cafés e food trucks procuram pratos que fotografem bem e aguentem viagens em entregas. A imagem de um waffle recheado, aberto ao meio a revelar fios de queijo, encaixa nessa procura quase na perfeição.

Para lá de fiambre e queijo, o mesmo conceito pode receber recheios sazonais: cogumelos de outono e Gruyère mais “noz”, espargos de primavera com queijo fumado, ou até versões de sobremesa com chocolate e fruta, usando uma massa menos salgada. A técnica também dá aos cozinheiros mais novos um campo de treino de baixo risco para aprender massas levedadas, moldagem e controlo de calor na máquina de waffles.

Para quem segue tendências gastronómicas, esta fusão marca mais um pequeno passo na passagem de pratos de bistrô, feitos para prato e talheres, para snacks lúdicos e partilháveis. Fica entre a pastelaria e o takeaway, entre nostalgia e novidade. E, se a reação atual nas casas francesas servir de indicador, continuará a desaparecer dos pratos muito antes de a máquina de waffles arrefecer.

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