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O que o exercicio prancha proporciona ao corpo das mulheres apos os 40 50 anos

Mulher faz prancha em casa sobre tapete de ioga com bloco e cronómetro ao lado.

Depois dos 40 e 50, a prioridade muda: menos “fazer muito” e mais treinar de forma amiga das articulações, que reforça o tronco e dá confiança no dia a dia.

A prancha encaixa aqui porque não promete milagres; promete algo prático: estabilidade. E essa estabilidade costuma falhar quando stress, alterações hormonais e muitas horas sentadas se acumulam.

A mudança real depois dos 40/50: menos “força bruta”, mais controlo

Há uma fase em que o corpo deixa de “aguentar tudo” sem queixas: sono mais leve, pescoço rígido, lombar sensível ao fim do dia. O que antes era “postura” passa a ser dor e fadiga.

A prancha é simples, mas não é simplista: treina manter alinhamento enquanto respira, sem compensar na lombar, sem encolher os ombros e sem prender o ar (o que também ajuda a não “disparar” a tensão).

Quando é bem feita, nota-se fora do tapete: a levantar sacos, a subir escadas, em pé na bancada da cozinha, a pegar num neto ao colo.

O que a prancha proporciona ao corpo (e por que se nota tanto)

A prancha trabalha o “core” como uma cinta: abdómen profundo (transverso), glúteos, costas, estabilizadores da anca e a cintura escapular. Depois dos 40/50, isto costuma traduzir-se em ganhos bem concretos.

1) Menos sobrecarga na lombar (e mais suporte do tronco)

Quando o core profundo aprende a sustentar sem “endurecer”, a lombar deixa de compensar. A ideia é distribuir esforço: costelas “para baixo”, bacia neutra, glúteos ativos.

Em muitas mulheres, isto melhora a tolerância a tarefas repetitivas (aspirar, jardinagem, condução longa). Não é magia; é mecânica e consistência.

2) Postura e ombros mais estáveis

A prancha obriga a organizar a cintura escapular: empurrar o chão, afastar as omoplatas com controlo, alongar a nuca. Ajuda a contrariar o padrão de ombros rodados para a frente de quem passa horas ao computador.

Com o tempo, é comum sentir menos tensão no trapézio e mais “peito aberto” sem forçar.

3) Melhor equilíbrio e prevenção de quedas (sim, mesmo sem saltos)

Depois dos 50, o risco de queda aumenta e nem sempre é falta de força nas pernas: muitas vezes é falta de controlo do tronco. Um core estável ajuda a reagir quando tropeça, muda de direção ou pisa irregularidades.

A prancha treina esse “travão interno” (anti-extensão e controlo). É discreto, mas é treino de independência.

4) Abdómen mais funcional (sem depender de flexões repetidas)

Muitas rotinas antigas de abdominais (muitas flexões do tronco) acabam por reforçar o “arco” lombar e a barriga a projetar-se. A prancha, por resistir ao arco (anti-extensão), costuma ser melhor tolerada e mais útil.

Pode ser uma boa opção em diástase ligeira pós-gravidez ou fragilidade do pavimento pélvico - desde que haja técnica, progressão e ausência de pressão “a descer” (sinal de ajuste).

Como fazer a prancha de forma segura (o “mínimo eficaz”)

Não precisa de sofrer 2 minutos a tremer. Precisa de qualidade suficiente para o corpo aprender o padrão certo.

  1. Deite-se de barriga para baixo e apoie os antebraços no chão, com os cotovelos por baixo dos ombros.
  2. Eleve os joelhos e faça uma linha da cabeça aos calcanhares (ou mantenha os joelhos no chão).
  3. Ative glúteos e abdómen: imagine “fechar o fecho” abaixo do umbigo, sem meter a barriga para dentro à força.
  4. Empurre o chão, alongue a nuca e mantenha o olhar no chão, ligeiramente à frente.
  5. Respire: exale devagar (evite prender a respiração, sobretudo se tiver tendência para tensão/pressão arterial alta).

Ponto de partida eficaz: 3 séries de 15–25 segundos, com descanso suficiente para repetir com a mesma forma. Regra prática: pare quando sente que vai perder a forma nos próximos 2–3 segundos.

Sinais de que está a passar do ponto

  • A lombar “cede” e sente compressão.
  • Os ombros sobem para as orelhas ou sente o pescoço a “carregar”.
  • Prende a respiração ou fica ofegante em poucos segundos.
  • Sente pressão/peso a descer no pavimento pélvico ou “barriga a empurrar para fora”.

Quando isto acontece, a solução raramente é “aguentar mais”: reduza a alavanca (joelhos no chão), faça prancha inclinada (bancada/sofá firme) ou diminua segundos.

Progressões que funcionam melhor para mulheres 40/50 (sem castigar articulações)

A ideia é aumentar o desafio sem perder alinhamento - normalmente é mais inteligente do que “somar tempo a qualquer custo”.

  • Prancha com joelhos no chão (técnica + respiração)
  • Prancha inclinada (antebraços/mãos numa bancada)
  • Prancha com toques no ombro (anti-rotação; vá devagar para não abanar)
  • Prancha lateral com joelho dobrado (anca/oblíquos; muito útil para estabilidade)

Regra simples: progrida quando consegue manter a forma e respirar com controlo 20 segundos sem colapsar.

Erros comuns que parecem pequenos (mas mudam tudo)

Prancha não é “ficar rija”: é organizar o corpo.

  • Bacia demasiado alta: fica fácil, mas foge ao objetivo.
  • Bacia a cair: aumenta o risco de desconforto lombar.
  • Cabeça projetada/ombros fechados: cria tensão cervical.
  • Tempo a mais: transforma técnica em modo sobrevivência.

Uma prancha curta e limpa quase sempre vale mais do que uma longa e torta.

Onde este hábito cabe numa semana real

A prancha funciona porque cabe em pouco tempo: 4–6 minutos, sem equipamento e sem barulho.

Rotina simples (3×/semana):

  • 3× 20 s prancha frontal
  • 2× 15 s prancha lateral (cada lado)
  • 60–90 s de descanso entre séries, a respirar e a soltar ombros

Em poucas semanas, o efeito típico não é “barriga lisa”; é “corpo mais unido” - mexe-se com menos esforço e mais controlo.

Benefício principal O que a prancha treina O que melhora no dia a dia
Estabilidade lombar Core profundo + glúteos Menos desconforto em pé e a levantar pesos
Postura e ombros Cintura escapular + controlo torácico Menos tensão no pescoço e ombros
Equilíbrio/controlo Anti-extensão e anti-rotação Mais segurança a caminhar e a reagir a tropeções

FAQ:

  • A prancha é indicada para todas as mulheres após os 40/50? Para a maioria, sim, desde que adaptada. Se tiver dor lombar persistente, hérnias sintomáticas, hipertensão não controlada, ou queixas do pavimento pélvico, vale a pena orientação de fisioterapeuta/treinador.
  • Quantos segundos devo aguentar? Comece por 15–25 s com técnica impecável. O alvo é controlo com respiração, não recordes.
  • Prancha ajuda a “reduzir barriga”? Fortalece e melhora a forma como o tronco se posiciona. Redução de gordura depende sobretudo de alimentação, sono e gasto energético global.
  • E se me doer o pulso ou o ombro? Prefira a prancha nos antebraços ou inclinada numa superfície alta. Dor aguda não é para “aguentar”; ajuste ou avalie.
  • Posso fazer prancha todos os dias? Pode, se for curta, bem feita e sem sintomas. Para ganhos consistentes, 3–4×/semana costuma ser suficiente e sustentável.

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