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Por que nao se deve alimentar caes domesticos com carne crua e outros 10 alimentos da nossa mesa que nao sao recomendados para caes

Cão a observar comida em cima da mesa, incluindo carne, frango, cenoura e um prato de ossos.

Há dias em que a preocupação começa num pormenor aparentemente inofensivo: alguém cola numa conversa o clássico “of course! please provide the text you want me to translate.” e, logo a seguir, aparece a versão “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” - muitas vezes porque estão a traduzir uma lista online de alimentos “seguros” para o cão. O problema é que, quando falamos de alimentação canina, uma tradução literal não substitui o contexto veterinário, e certos “truques” de mesa (como oferecer carne crua) podem trazer riscos reais tanto para o animal como para a família.

Dar um “bocadinho” soa a gesto de carinho. Mas, em nutrição, o que conta não é a intenção: é o que o organismo do cão tolera e o que pode correr mal na cozinha e no intestino.

O mito da carne crua: por que não é uma boa ideia para a maioria dos cães

A carne crua é muitas vezes promovida como “mais natural”. Só que “natural” não é sinónimo de “seguro”, sobretudo num lar moderno, com crianças, idosos, pessoas imunodeprimidas e superfícies partilhadas.

O risco não se limita a uma diarreia do cão. Entra também a carga bacteriana (Salmonella, Campylobacter, E. coli), parasitas e contaminação cruzada: a tigela, o lava-loiça, as mãos, o chão, o lamber da cara, o brinquedo que acaba no sofá.

O que pode acontecer (mesmo quando “sempre fiz e nunca aconteceu nada”)

A curto prazo, os sinais mais frequentes são vómitos, fezes moles, dor abdominal e apatia. Alguns cães recuperam sem grande intervenção, o que cria uma falsa sensação de segurança e acaba por normalizar a prática.

Noutros casos, a situação agrava-se: gastroenterites severas, pancreatites (especialmente se a carne tiver muita gordura), infeções que exigem antibiótico, ou parasitoses. E há ainda um ponto importante: carne crua dada “a olho”, sem formulação correta, pode ser nutricionalmente incompleta.

E os ossos “crus, portanto seguros”?

Ossos (crus ou cozinhados) continuam a poder partir dentes, causar obstipação, perfurar o intestino ou ficar presos. Mesmo quando não há urgência imediata, podem provocar microtraumas e dor crónica que o tutor só reconhece mais tarde.

Se está a considerar uma dieta crua (BARF), a opção mais prudente é fazê-lo com acompanhamento veterinário/nutricional e regras de higiene rigorosas. Para a maioria dos lares, uma alimentação comercial completa ou uma dieta caseira formulada oferece a melhor relação risco-benefício.

Outros 10 alimentos da nossa mesa que não são recomendados para cães

Há alimentos comuns no nosso dia a dia que, para cães, podem ser tóxicos, irritantes ou simplesmente dispensáveis. O padrão repete-se: “foi só um pouco” é, muitas vezes, suficiente para causar problemas - e o cão, por ser oportunista, aprende depressa.

  1. Chocolate e cacau (inclui bolos e cremes)
    Contêm metilxantinas (teobromina/cafeína), que podem causar agitação, taquicardia, tremores e, em casos graves, convulsões. Quanto mais escuro o chocolate, maior o perigo.

  2. Uvas e passas
    Podem desencadear insuficiência renal aguda em alguns cães, mesmo com pequenas quantidades. O mecanismo não é totalmente previsível, pelo que não existe uma “dose segura” garantida.

  3. Cebola, alho e outros aliáceos (crus, cozinhados, em pó, caldos e temperos)
    Podem levar à destruição de glóbulos vermelhos (anemia hemolítica). O risco aumenta com consumo repetido (por exemplo, restos de comida temperada durante vários dias).

  4. Álcool e massas fermentadas (pão cru, massa de pizza)
    O álcool é tóxico e a fermentação pode produzir etanol e provocar distensão gástrica. Além da intoxicação, existe risco de dilatação gástrica em cães de grande porte.

  5. Xilitol (pastilhas, rebuçados “sem açúcar”, algumas manteigas de amendoim e produtos de pastelaria)
    Pode causar hipoglicemia rápida e lesão hepática. É uma das urgências mais críticas e, no início, pode parecer “silenciosa”.

  6. Abacate
    A polpa é muito gordurosa (podendo desencadear pancreatite em cães sensíveis) e o caroço representa risco de obstrução. Há também a questão da persina, com impacto variável conforme espécie e quantidade.

  7. Nozes de macadâmia
    Podem provocar fraqueza, tremores, hipertermia e vómitos. A reação pode surgir horas após a ingestão.

  8. Comida muito gordurosa e fritos (enchidos, pele de frango, molhos, restos de assados)
    São dos principais responsáveis por indisposição e pancreatite. O “cheirinho” é irresistível, mas o pâncreas não negocia.

  9. Laticínios em excesso (leite, natas, gelados)
    Muitos cães são intolerantes à lactose e fazem diarreia e gases. Mesmo quando toleram, o teor de gordura e açúcar torna-os pouco recomendáveis.

  10. Cafeína (café, chá, bebidas energéticas)
    Estimula o sistema nervoso e cardiovascular, podendo causar inquietação, arritmias e tremores. O risco aumenta com bebidas mais concentradas e ingestão rápida.

➡️ Uma regra prática que evita quase tudo: se tem açúcar, adoçante, álcool, muito tempero ou muita gordura para nós, não é “um mimo” para eles.

“Mas o meu cão pede”: como dar alternativas sem cair no improviso

O pedido do cão é um comportamento aprendido: ele associa o nosso prato a recompensa. Em vez de “um pedaço do nosso”, costuma resultar melhor criar uma rotina paralela com snacks apropriados e porções pequenas.

Algumas alternativas frequentes (consoante o cão e a dieta de base) incluem cenoura crua em palitos, maçã sem caroços, pepino, ou snacks comerciais de boa qualidade. E, se quer mesmo partilhar o momento, reserve parte da ração diária para dar à mão durante a refeição da família.

Guia rápido (risco → alternativa)

Alimento Risco principal Alternativa mais segura
Carne crua Bactérias/parasitas; contaminação Carne bem cozinhada sem temperos (porção pequena)
Chocolate Toxicidade (teobromina) Snack canino ou fruta segura em pequena quantidade
Cebola/alho Anemia Carne/legumes sem tempero e adequados a cães

O que fazer se o cão comeu um destes alimentos

A primeira decisão é simples: não esperar por sintomas quando se trata de xilitol, uvas/passas, chocolate em quantidade relevante, álcool ou grandes porções de gordura. Nestas situações, o tempo é um fator clínico.

Guarde a embalagem (ou tire foto aos ingredientes), estime a quantidade ingerida e o peso do cão, e contacte o veterinário/urgência. Não induza vómito por iniciativa própria sem orientação: pode piorar, sobretudo se houver risco de aspiração ou se tiver sido ingerida uma substância irritante.

FAQ:

  • O meu cão já comeu carne crua e ficou bem. Posso continuar? Não é um indicador fiável. Pode “correr bem” várias vezes e, noutra, surgir uma infeção, parasitas ou uma pancreatite por excesso de gordura. Se quer fazer dieta crua, faça-o com plano formulado e orientação veterinária.
  • Um bocadinho de cebola cozinhada no guisado também faz mal? Pode fazer, sobretudo com repetição. O problema não é só a cebola “visível”, mas também pós, caldos e temperos que se acumulam nos restos.
  • Qual é o mais perigoso em casa, em termos de urgência? O xilitol é dos mais críticos pela rapidez da hipoglicemia. Uvas/passas e chocolate também podem justificar urgência, dependendo da dose e do cão.
  • Que “petiscos de mesa” costumam ser mais seguros? Em geral, pequenas quantidades de cenoura, pepino, maçã sem caroços ou frango/cozidos simples sem sal nem temperos. Ainda assim, conte sempre dentro das calorias diárias e confirme com o veterinário se o cão tiver doença crónica.
  • Cães podem comer ossos crus? Continua a haver risco de fraturas dentárias e problemas gastrointestinais. Se quer promover mastigação, discuta alternativas seguras (brinquedos próprios, dentais aprovados, etc.).

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