Saltar para o conteúdo

Portugal está a perder popularidade entre reformados, que preferem outro destino europeu com melhores benefícios e qualidade de vida.

Dois homens idosos sentados à mesa perto da água, segurando documentos de viagem. Modelo de elétrico em miniatura na mesa.

On a warm October evening in Lisbon, the café terraces along the Tagus are still full of English, French and German voices. Retirees sip vinho verde, talk property prices, complain gently about paperwork, then laugh it off. The famous golden light hits the tiled façades just right. On the surface, Portugal still looks like the European retirement dream sold in glossy magazines.

Yet if you listen a little closer, the tone has shifted.

Between two sips of wine, people whisper about rising taxes, overcrowded clinics, rents that have doubled in five years. A few casually drop a new name, a different country, almost like a secret password. And little by little, the conversation turns away from Lisbon and the Algarve, and toward a new “promised land” that seems to be stealing Portugal’s crown.

De queridinho do visto gold a estrela em perda de brilho

Não foi assim há tanto tempo que Portugal era o superstar da reforma na Europa. O regime fiscal do residente não habitual (RNH), os invernos amenos, os voos baratos e o baixo custo de vida trouxeram uma vaga internacional de pensionistas para Lisboa, Porto e Algarve. Compraram apartamentos em tons pastel, renovaram casas de pedra, encheram cafés locais e publicaram fotografias ao sol que deixavam os amigos no país de origem com uma pontinha de inveja.

Depois, as regras mudaram.

Os benefícios fiscais foram reduzidos, os preços das casas dispararam e os locais começaram a reagir ao que viam como uma “invasão de reformados”. O sonho não desapareceu de um dia para o outro, mas o brilho esbateu-se. As pessoas começaram a procurar, discretamente, o próximo lugar que pudesse oferecer a mesma sensação de liberdade… com menos contrapartidas.

Veja-se o caso do John e da Susan, um casal britânico no final dos 60. Mudaram-se para o Algarve em 2016, atraídos por impostos baixos e por aquele estilo de vida fácil, descalço junto ao mar. Na altura, a renda de uma casinha com jardim era de 700 € por mês. Hoje, o senhorio pede quase o dobro, e a pensão do Estado britânico já não rende como antes.

Além disso, os benefícios fiscais do RNH estão a terminar.

Na primavera passada, numa visita a amigos, voaram para Atenas “só para mudar de ares”. Acabaram por passar dias nos subúrbios costeiros, a falar com expatriados que pagam rendas mais baixas, desfrutam de vistas de mar e dizem ter acesso a um sistema público de saúde surpreendentemente bom. Dois meses depois, estavam de volta a Portugal… para fazer as malas.

A história deles está a tornar-se mais comum. À medida que Portugal aperta os incentivos fiscais e enfrenta escassez de habitação, a Grécia está, discretamente, a emergir como a nova favorita dos reformados estrangeiros. Atenas, Salónica e até cidades mais pequenas como Kalamata ou Chania estão a receber um fluxo constante de pensionistas que, antes, tinham Portugal no topo da lista.

As razões raramente são ideológicas. São práticas.

A Grécia oferece uma taxa fixa de 7% sobre rendimentos de pensões estrangeiras para reformados elegíveis, muito sol e, em muitas zonas, preços imobiliários ainda mais baixos do que no litoral português. Embora ambos os países partilhem charme mediterrânico e hábitos descontraídos, muitos reformados sentem que, neste momento, a Grécia acerta num equilíbrio mais vantajoso entre custo, estilo de vida e estabilidade a longo prazo.

Porque é que a Grécia está, de repente, a ganhar a corrida da reforma

Para muitos reformados, a primeira grande pergunta é brutalmente simples: “Até onde vai a minha pensão?” É aí que a Grécia soma pontos. A taxa fixa de 7% sobre pensões estrangeiras (até 15 anos, para candidatos elegíveis) pode significar mais algumas centenas de euros por mês face às novas regras portuguesas.

Depois, há a habitação.

No litoral grego ou em pequenas cidades do continente, comprar um apartamento T2 por menos de 200.000 € ainda é muito comum. Arrendar pode ser surpreendentemente acessível assim que se sai de pontos turísticos como Santorini ou Mykonos. O velho sonho de “um cantinho com varanda e brisa do mar” parece hoje mais realista ali do que em muitas zonas de Portugal.

Um reformado francês que conheci em Kalamata contou-me a sua história à mesa, diante de um prato de sardinhas grelhadas. Passara três invernos em Faro, adorara o estilo de vida, mas sentira o mercado “a fugir-lhe das mãos”. A renda subiu, os cafés pareciam mais cheios e ele tinha dificuldade em ver o médico de família sem esperar semanas.

Começou a ver anúncios na Grécia por pura curiosidade.

Em poucos meses, encontrou um apartamento cheio de luz perto do mar por 120.000 €, numa cidade onde ainda se encontra um café por 1,30 € e uma spanakopita acabada de fazer por menos do que um bilhete de autocarro em Paris. Agora divide o tempo entre mergulhos matinais, aulas de língua e voluntariado num abrigo local de animais. Diz que Portugal “ainda parece um postal”, mas que a Grécia “parece casa”.

Há também a questão do ambiente. Portugal tornou-se vítima do próprio sucesso, com algumas zonas a parecerem mais bolhas internacionais do que comunidades locais. Lisboa e Porto estão densas de nómadas digitais, Airbnbs e empreendimentos especulativos. Alguns reformados adoram o frenesim cosmopolita; outros acham-no exaustivo.

A Grécia, pelo contrário, continua um pouco “por limar”.

A burocracia pode ser caótica, a pontualidade é flexível e nem toda a gente fala inglês fluentemente quando se sai das grandes cidades. Ainda assim, é precisamente isso que muitos reformados valorizam: um ritmo mais autêntico, tradições locais fortes e menos multidões fora da época alta. O ganho emocional é um sentimento de pertença, em vez de apenas “usar” um lugar por sol e vantagens fiscais.

Como é que os reformados estão, na prática, a fazer a mudança de Portugal para a Grécia

Os reformados que conseguem fazer isto não costumam acordar um dia, vender tudo no Algarve e aterrar em Atenas com dez malas. Testam primeiro. Muitos começam com algumas viagens de reconhecimento: uma semana em Creta, dez dias em Salónica, um aluguer de inverno de um mês perto de Nafplio. Caminham, conversam, fazem compras no mercado, andam de autocarro, sentam-se em salas de espera, visitam hospitais locais.

Prestam atenção às pequenas coisas.

O farmacêutico é prestável? Há rampas e elevadores? Existem outros reformados por perto ou irão sentir-se isolados? Esta fase lenta, quase silenciosa, de observação costuma determinar se se apaixonam pela Grécia ou se se mantêm fiéis a Portugal, mesmo com custos mais altos.

Um erro comum é olhar só para o lado “postal”: ilhas, pôr do sol, casas caiadas. Viver na Grécia o ano inteiro não é o mesmo do que passar duas semanas em Santorini. O inverno pode ser húmido e surpreendentemente frio em algumas regiões. Há greves. A papelada pode arrastar-se.

Os reformados que melhor se adaptam aceitam que nenhum lugar é perfeito.

Reservam uma margem realista para despesas inesperadas, evitam comprar casa nos primeiros doze meses e falam tanto com expatriados como com locais - não apenas com agentes imobiliários. E largam a fantasia de que a nova vida será férias permanentes. Sejamos honestos: ninguém vive assim todos os dias.

“Adorei Portugal, mas senti que cheguei mesmo quando a festa estava a acabar”, disse-me um reformado italiano em Salónica. “A Grécia parece que a festa ainda está a ser montada. Há espaço para mim aqui.”

  • Defina um orçamento claro:
    Saiba qual é a sua pensão mensal, a sua situação fiscal e os custos de seguro de saúde antes de comparar Portugal e Grécia.
  • Passe tempo fora da época alta:
    Visite a Grécia em novembro ou fevereiro, e não apenas em agosto, para sentir o verdadeiro ritmo de vida.
  • Compare os cuidados de saúde no terreno:
    Visite clínicas e hospitais, pergunte a outros reformados sobre tempos de espera e acesso a especialistas.
  • Faça um “test-drive” de bairros:
    Arrende por períodos curtos em diferentes zonas antes de se comprometer a comprar seja o que for.
  • Tenha em conta os laços familiares:
    Conte voos, tempo de viagem e custos para visitar filhos ou netos pelo menos uma ou duas vezes por ano.

Um novo mapa das “reformas de sonho” na Europa

A mudança discreta de Portugal para a Grécia diz muito sobre o nosso momento atual. Os reformados de hoje são mais móveis, mais informados e menos tolerantes a políticas que mudam de um dia para o outro. Comparam códigos fiscais em fóruns, trocam dicas de arrendamento em grupos de Facebook e mudam de país quando o equilíbrio entre custo e qualidade de vida se inclina. Reformar-se no estrangeiro tornou-se menos sobre comprar um postal e mais sobre negociar um acordo de longo prazo com a realidade.

Então Portugal “acabou”? Na verdade, não. Continua bonito, acolhedor, e é um lugar onde muitos reformados são perfeitamente felizes. Mas a fórmula mágica que antes o tornava o campeão incontestado da reforma na Europa estalou claramente. A Grécia está a ocupar esse espaço com a sua própria proposta: tratamento fiscal mais generoso, preços mais baixos em muitas zonas e um estilo de vida que parece ao mesmo tempo caótico e profundamente humano.

A verdadeira pergunta não é que país ganha, mas o que procura realmente quando atravessa fronteiras nos seus 60 ou 70 anos. Luz solar, sim. Segurança, claro. Mas também a sensação de que ainda pode construir algo novo, mesmo quando as regras continuam a mudar. Que pode recomeçar sem sentir que chegou tarde à festa. E que algures entre Lisboa e Atenas existe um lugar onde a sua pensão, o seu corpo e o seu coração conseguem respirar ao mesmo tempo.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O apelo de Portugal está a esmorecer Benefícios fiscais reduzidos, custos de habitação a subir, pressão nos serviços públicos Ajuda a perceber porque é que o velho “sonho” está mais difícil de alcançar
Novas vantagens da Grécia Taxa fixa de 7% sobre pensões estrangeiras, preços imobiliários mais baixos, menos saturação Apresenta uma alternativa concreta a explorar, com ângulos financeiros claros
Caminho prático para a mudança Viagens de reconhecimento, testes fora de época, decisões lentas, orçamento realista Oferece um roteiro para leitores a considerar uma mudança na vida real

FAQ:

  • Portugal continua a ser um bom país para se reformar? Sim, muitos reformados continuam satisfeitos, sobretudo fora dos mercados mais “quentes” como Lisboa ou o Algarve central; mas o fim de benefícios fiscais muito generosos e a subida dos custos de habitação significam que já não é o “melhor negócio” óbvio para toda a gente.
  • Porque é que tantos reformados estão a olhar para a Grécia? Principalmente pela combinação da taxa fixa de 7% sobre pensões estrangeiras, habitação relativamente acessível em muitas regiões e um estilo de vida mediterrânico que parece menos cheio e comercializado do que em partes de Portugal.
  • Os cuidados de saúde são melhores em Portugal ou na Grécia? Ambos têm sistemas sólidos com falhas; Portugal é muitas vezes visto como um pouco mais organizado, enquanto a Grécia pode oferecer cuidados surpreendentemente bons nas grandes cidades, mas com alguma variação em zonas rurais - por isso, visitas e feedback local contam muito.
  • Preciso de comprar casa para beneficiar das vantagens fiscais na Grécia? Não. O regime fiscal para pensões está ligado à residência fiscal e a critérios definidos pelas autoridades, não à propriedade de imóvel, pelo que muitos reformados começam por arrendar enquanto o estatuto é processado.
  • Esta tendência de ir para a Grécia vai durar? Ninguém pode garantir políticas a longo prazo, mas neste momento a Grécia está ativamente a atrair reformados estrangeiros, e as pessoas estão a responder; como sempre, o essencial é manter flexibilidade e evitar basear todo o plano numa única lei que pode mudar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário